Burmester faz "take 2" da integral Beethoven

O concerto de amanhã, sábado (18.00), na Sala Suggia da Casa da Música, marca o regresso do pianista Pedro Burmester à integral dos concertos para piano de Beethoven que tem em curso naquela sala ao longo do ano e que iniciou no passado mês de janeiro, no concerto de abertura do Ano Alemanha, interpretando aí o 'Concerto n.º 4'. Desta feita, é a vez do 'Concerto n.º 3, em dó m, op. 37', uma das famosas obras em dó menor do compositor de Bona, tonalidade que nele dava azo a obras de conteúdo bastante dramático.

Antes de Beethoven, ouvem-se duas obras do início da década de 70, em plena época de contracultura na Alemanha: 'Kontrakadenz', partitura de 1970-71 de Helmut Lachenmann - o Compositor em Residência este ano na Casa da Música - e 'Magma', obra escrita em 1973 por um jovem (tinha então 21 anos) Wolfgang Rihm. 'Kontrakadenz' destina-se a uma orquestra sinfónica, na qual se "misturam" quatro executantes 'ad libitum' que irão acrescentar à música escrita sons comuns do quotidiano, numa "subida" dos ruídos do mundo ao palco da sala de concertos que é também um questionamento e desconstrução do ato de escuta da obra de arte musical e da própria obra de arte enquanto objeto de contemplação. Pelas suas características, foi considerada uma das peças fundadoras da estética distintiva de Lachenmann, cunhada de "música concreta instrumental". 'Kontrakadenz' foi uma encomenda da Orquestra Sinfónica da Rádio de Estugarda, que estreou a obra, sob a direção de Michael Gielen.

Já 'Magma' é uma obra mais curta (15 minutos), mas requer uma orquestra sinfónica ainda um pouco maior que 'Kontrakadenz'. É uma obra de extremos, com grandes contrastes quase expressionistas, mas que já se nos apresenta como um manifesto do jovem Rihm no caráter da escrita orquestral, que rompia com os cânones vanguardistas então (a obra data de 1973) norma.

Dirige o concerto o maestro alemão Lothar Zagrosek (n. 1942), uma das personalidades mais respeitadas da direção de orquestra alemã e reconhecido enquanto maestro da nova música tanto quanto no repertório sinfónico e operático tradicional. Do seu percurso enquanto maestro, destacam-se as dez temporadas em que foi diretor musical geral da Ópera de Estugarda (1997-2006), período que viu essa casa de ópera ser eleita por cinco vezes como "Teatro de Ópera do Ano" entre todos os teatros líricos alemães e o próprio Zagrosek ser considerado por duas vezes - logo na temporada primeira e dois anos depois - como "Maestro do Ano" na Alemanha. Distinção que voltou a receber há dois anos e para a qual terá contribuído a nova produção da ópera 'A rapariga dos fósforos', de Helmut Lachenmann, que Zagrosek dirigiu na Ópera Alemã de Berlim (a Kairos editou uma gravação dessa produção).

Zagrosek já dirigiu em estreia mundial obras de Lachenmann, Rihm e Zender. Na ópera, notabilizou-se na série 'Entartete Musik' da Decca, dedicada aos compositores erradicados pelos nazis. Uma delas, 'Os Pássaros', de Walter Braunfels, foi nomeada para um Grammy. Também já gravou obras líricas de Nono, Sinopoli, Dallapiccola, Glanert, von Einem, além de um 'São Francisco de Assis' de Messiaen, com Dietrich Fischer-Dieskau (Orfeo, 1998).

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