Ben Affleck filma gangsters em piloto automático

"Viver na Noite", primeiro filme não conseguido de Ben Affleck como realizador, leva-nos a um tempo em que a Lei Seca dava lucro à máfia.

Corriam rumores de que os executivos da Warner estavam felizes com o resultado final deste novo filme de Ben Affleck. Tão otimistas que chegaram a acreditar em nomeações aos prémios da Academia e terão antecipado a estreia a tempo do calendário desta próxima cerimónia.

Não vai acontecer, temos pena! Depois de Vista pela Última Vez, A Cidade e Argo, Ben Affleck fez finalmente um mau filme. Aquele que é um dos mais cabotinos leading men de Hollywood tinha ganho fama de cineasta, mas aqui, nesta adaptação do romance de Dennis Lehane, cai-lhe a máscara. O ritmo célere de Argo já não mora aqui e a intensidade de Vista pela Última Vez é apenas uma miragem.

O novo titular da pasta Batman quis fazer o seu épico de gangsters empinado. A ação passa-se em Boston em plena Lei Seca e mostra-nos o percurso de um gangster freelancer (o próprio Ben), algures dividido entre a lealdade a um chefe da máfia irlandesa e o capo italiano. Depois de uma tragédia amorosa, é destacado para a Florida para expandir o negócio do rum para os italianos.

Tudo isto numa narrativa que mete alguns romances, violência glamourizada e uma subintriga centrada em fanatismo religioso. A realização tenta sempre encher o olho com uma opulência e muitos meios mas a impressão com que se fica é que tudo é território de fantasia vaidosa. Uma artificialidade sem verdadeiras ideias de cinema e uma tremenda falta de tensão, tal como o tom arrastado da voz de Ben Affleck quando narra o que se passa. Como se o espectador fosse muito burro e precisasse de ter tudo explicadinho.

O resultado é que as personagens vão morrendo e nós nem damos por isso. Que frustrante nem querermos saber da sorte de Sienna Miller ou de Elle Fanning... Affleck filma em piloto automático e ainda quer menos saber das personagens secundárias, em especial os dois chefes mafiosos rivais ou o amigo gangster, interpretado de forma anónima por Chris Messina. Na verdade, tudo aqui é anónimo, tal como o pior dos "projetos de vaidade" de estrelas de Hollywood...

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