Autores lusófonos em festa nos jardins de Marcelo

A ideia veio do Presidente. A Festa do Livro de Belém abre hoje portas nos jardins do Palácio de Belém com 33 editoras e uma vasta programação paralela até domingo. A entrada é livre

Depois de ter terminado o dia da sua tomada de posse como Presidente da República num concerto que dedicou à juventude, e após ter recebido mais de seis mil pessoas três dias depois, no sábado de março em que abriu as portas do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa volta a abrir os jardins de Belém ao público. Desta vez, o convite é para uma festa, anunciada em maio, quando da abertura da Feira do Livro de Lisboa.

A Festa do Livro de Belém abre hoje portas às 18.00, com a presença do Presidente (que no dia seguinte inaugurará a Feira do Livro do Porto). A entrada é livre e, para lá dos muros, estarão 33 editoras e três espaços onde, até domingo, acontecerá uma programação paralela que vai desde a exibição do filme póstumo de Manoel de Oliveira, Visita ou Memórias e Confissões, depois de uma única na Cinemateca após a sua morte, a um concerto de Cristina Branco, jogos didáticos para crianças, ou um debate sobre o estado da nação. A entrada é feita pelo Museu da Presidência, o que obrigará a um reforço da segurança.

Pedro Mexia, consultor cultural do Presidente, comissariou toda a programação paralela que acompanha o espaço onde a festa se confunde com a feira. Esse ficou sob a responsabilidade da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que se associou à ideia de Marcelo Rebelo de Sousa.

Quanto à ideia do Presidente, que hoje se vê materializada nos vários expositores que povoam os "seus" jardins, Mexia lança: "Acho que se explica naturalmente. Por um lado, pela sua faceta de bibliófilo, até pela biblioteca que doou a Celorico de Bastos; é um comprador de livros e frequentador de bibliotecas, também foi editor durante um tempo. E por uma noção de que o mundo editorial esta a passar por grandes dificuldades, desde a crise à concentração editorial, ao e-book..."

Marcelo não interveio depois mais do que nisto: a festa "teria uma componente de feira do livro, haveria atividades paralelas e um acento tónico nos autores de língua portuguesa."

Desta vez, mais do que deixar os portugueses verem os "seus" jardins, o Presidente quer que vejam os seus autores. A Tinta-da-China, uma das editoras presentes na feira, só levará autores lusófonos. Rute Dias, da direção comercial e administrativa, explica que praticarão descontos entre os 10 e os 30%, de acordo com a lei do preço fixo. Na festa não há livro do dia. Rute conta que, quando acabaram a seleção de livros, perguntaram-se: "Onde é que vamos enfiar estes livros todos?" Pois os expositores, conta, são pequenos - à escala do espaço -: "uma espécie de bancas de fruta".

Pedro Sobral, coordenador de edições da Leya, afirma que o grupo privilegiou os autores lusófonos. "Teremos outros", acrescenta. "Esta não é uma feira do livro para nós, é uma festa." Sobral destaca o "contacto com o público num local que não é habitual" e louva a iniciativa: "Não me recordo de outra semelhante, aqui ou noutros países."

A programação para a infância, desenvolvida pela rede de bibliotecas de Lisboa, é vasta. "À partida há livros para todos os públicos. A feira do livro adequa-se muito bem a uma captação de públicos muito diferentes. O Presidente da República, por definição, é presidente de toda a gente. Este não é um evento apenas intelectual", nota Pedro Mexia.

Na programação, há sessões de autógrafos com vários autores - de Gustavo Santos a Nuno Júdice - ou mesas redondas como A Sabedoria dos Livros, que junta amanhã Frederico Lourenço e Tolentino Mendonça em torno dos grandes livros, com moderação de Anabela Mota Ribeiro. O primeiro, também tradutor de Homero, lançou-se numa tradução integral da Bíblia, o segundo estuda-a e relaciona-se profundamente com ela.

Outra mesa é a de sábado, com Djaimilia Pereira de Almeida, Bruno Amaral e Daniel Jonas - "autores revelados na última década" - a discutirem O que há de novo?, moderados por Carlos Vaz Marques. No domingo, é o próprio Mexia quem modera Este País, com Bernardo Pires de Lima, Eduardo Lourenço, e Maria de Fátima Bonifácio. "Uma espécie de estado da nação. Não propriamente para falar da política do dia-a-dia, mas da Europa, de Portugal e do mundo."

Cristina Branco, que em breve edita o álbum Menina, canta amanhã. O legado autobiográfico que nos deixou Oliveira é projetado no sábado e no domingo.

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