As imagens da música no Super Bock Super Rock

A exposição "Supersonic" reúne 24 imagens do fotógrafo inglês Michael Spencer Jones nos corredores do Meo Arena. Ao DN contou algumas das histórias por trás das imagens e confessou que vai hoje tentar a fotografia que lhe falta no portefólio: Iggy Pop.

Entre as 24 fotografias expostas de Michael Spencer Jones, autor de algumas das mais icónicas capas de discos da história pop britânica, reconhece-se de imediato a icónica imagem dos Verve, deitados na relva, que serviu de capa ao álbum Urban Hymns, um dos mais bem-sucedidos desta banda britânica. "Esta capa é muito interessante. Já trabalhava com os Verve há alguns anos e nessa altura estava a acompanhar as gravações do Urban Hymns, que já se percebia que ia ser um álbum excelente", recorda Michael Spencer Jones.

A foto acabaria por ser feita em Windsor Park, em Londres, mas o melhor é deixar o seu autor contar a história: "Tínhamos pedido para tirar algumas fotos, mas quando chegámos já lá estava outro fotógrafo, que o agente deles tinha contratado. Foi uma situação muito constrangedora, do género quem és tu? Bem, sou o fotógrafo e tu? Eu também sou o fotógrafo (risos)".

Michael só tinha uma pequena câmara de 35 mm, enquanto o outro fotógrafo trazia todo um estúdio com ele, com luzes, tripés e até alguns assistentes. "Ele demorou tanto tempo a montar tudo aquilo que a banda começou a ficar irritada e decidiram sentar-se no chão, à espera. A dada altura estavam todos deitados na relva, a olhar para um veado. Pela primeira vez em meses vi-os completamente relaxados e pensei que tinha de tirar aquela foto. E foi assim que surgiu a capa do Urban Hymns, que afinal são só os Verve à espera para tirar uma foto".

A foto que falta

O resultado final, explica, depende sempre da vontade das bandas, mas Michael dá sempre a sua opinião, como aconteceu com aquela que elege como sua fotografia favorita nesta exposição, também dos Verve. Foi publicada no interior do primeiro disco da banda britânica, Burning Heaven, e nela veem-se os músicos numa espécie de piquenique num jardim, com o carro a arder por trás.

"Eles queriam algo que simbolizasse a anarquia e não há imagem mais forte para isso que um carro a arder. A ideia inicial era fotografar um carro em chamas na rua, mas depois tive a ideia de fazer um contraste, colocando a banda num cenário idílico, no campo, com um carro a arder por trás deles", afirma.

E é uma das suas favoritas exatamente por "toda a aventura" que foi necessária para a conseguir. "A casa onde fotografámos era dos pais de um amigo da banda, ou seja, era literalmente a casa dos papás (risos) e eles não estavam muito convencidos com a ideia de ter um carro a arder no jardim. E a verdade é que no final tivemos de chamar os bombeiros para apagar o fogo. Olhando para a foto, parece tudo muito pacífico, mas a verdade é que foi tirada em segundos, porque o carro já estava a fazer uns barulhos esquisitos e os faróis quase a explodir".

Para trabalhar com as bandas, Michael só tem uma condição, gostar da música. "Seria para mim muito difícil trabalhar com alguém como o Justin Bieber, não tenho nada contra o artista, que é muito bom, mas não é o meu estilo. Preciso de sentir que a música me diz algo para a partir daí também poder passar uma mensagem com as minhas imagens".

Até porque, defende, as imagens continuam ligadas aos discos "para sempre", porque representam a música e os fãs necessitam algo com que se identificar - "Quando falamos do Abbey Road, dos Beatles, lembramo-nos logo da foto do Iain Macmillan".

E apesar das estrelas rock não serem propriamente pessoas de feitio fácil, Michael não trocava o seu trabalho por nada. "Prefiro trabalhar com gente assim, de personalidade forte. Os Oasis têm uma certa fama de mau feitio, mas comigo sempre foram uns tipos impecáveis. Tanto eles com os Verve permitiram-me andar sempre com eles e até nos tornámos amigos, o que torna o meu trabalho enquanto fotógrafo muito mais fácil, porque a dada altura eles esquecem-se que ali estou. E a verdade é que os músicos rock são sempre pessoas divertidas para se estar. Sempre é melhor que andar com contabilistas (risos)".

Nesta exposição e para além das fotos dos Oasis e dos Verve, estão também imagens de artistas e bandas como Leonard Cohen, Suede, Happy Mondays ou Stone Roses, entre outros. "Tentei mostrar a variedade do meu trabalho, mas foi uma escolha difícil. Pediram-me 24 imagens, mas é um exercício difícil, como quando pedem a alguém para fazer uma lista com as canções favoritas. Hoje é uma, mas amanhã já pode ser outra", sustenta.

Curiosamente, é a primeira vez que expõe num festival de música, onde hoje à noite tentará conseguir a imagem que lhe falta no seu portfólio. "Adorava tirar uma foto ao Iggy Pop. Até já pedi à organização para me deixar ir lá para a frente, fotografá-lo".

Supersonic reúne 24 imagens da autoria do fotógrafo inglês Michael Spencer Jones, e integra mais um Super Bock Laboratório Criativo, iniciativa integrada no programa do festival, que incluiu também uma conferência sobre "O Futuro da Música", como convidados como o holandês Peter Smidt (fundador do festival Eurosonic) ou Jwana Godinho, da empresa Música no Coração, organizadora do Super Rock.

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