Segmento pintado do muro de Berlim está a ser removido

Sob protestos estão na ser retirados segmentos da mais extensa porção do antigo muro, entretanto transformada numa galeria de arte a céu aberto. A construção de um edifício de apartamentos está na origem do caso.

Derrubado em 1989, o Muro que dividia a cidade de Berlim desde 1961 foi nos meses seguintes quase totalmente demolido. Restaram fragmentos, para que a memória não o esquecesse. Podemos vê-los, por exemplo, em Potsdamer Platz (uma área da cidade que floresceu nas duas últimas décadas depois de ser, anos a fio, uma terra de ninguém), junto à antiga sede da Gestapo em Niederkirschner Strasse (perto do célebre Checkpoint Charlie) ou numa das margens do rio Spree, em Mühlenstrasse (perto da estação de metro de Warschauer Strasse), onde em tempos havia uma das fronteiras entre as duas partes da cidade dividida. É uma extensão de cerca de 1,3 quilómetros de muro (a mais extensa que resiste no presente), sobre o qual uma multidão de artistas foi pintando o betão, criando o que se passou a designar como East Side Gallery. É parte desta "galeria" ao ar livre que está a ser removida sob escolta policial e sob protestos que esta manhã juntaram cerca de duas centenas de pessoas no local.

Segundo revela o Guardian, a "ameaça" a esta expressão do património artístico da Berlim dos nossos dias chegou com o projeto Living Levels, uma torre de 63 metros de altitude com 36 apartamentos e escritórios que a construtora Living Bauhaus descreve como oferecendo "vistas panorâmicas de cortar a respiração", como acrescenta o diário inglês. Entre a porção do muro que está a ser removida para a construção deste edifício conta-se o segmento com a pintura do francês Thierry Noir habitualmente referida como "cabeças com lábios grandes". O pintor juntou-se aos protestos junto ao muro, clamando pela sua preservação.

Representando 118 artistas de 21 países, a East Side Gallery é uma das grandes atrações turísticas da Berlim contemporânea (com cerca de 800 mil visitantes anuais) e representa um símbolo de liberdade. Alguns dos segmentos pintados entraram já na história da iconografia pós-guerra fria, como por exemplo a chamada Pintura #25, que representa as figuras de Leonid Brezhnev e Erich Honecker, antigos líderes da URSS e RDA, respetivamente, com assinatura de Dimitri Vrubel . Esta pintura, que é de certa forma o ex-libris da East Side Gallery, foi restaurada em 2009).

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