Retrospetiva de Hélio Oiticica vai abrir nova temporada, em setembro

Uma retrospetiva sobre a obra do artista Hélio Oiticica (1937---1980), considerado um dos criadores brasileiros mais importantes do século XX, vai abrir, em setembro, a nova temporada de exposições do Museu Coleção Berardo, em Lisboa.

A apresentação desta exposição insere-se no quadro da iniciativa oficial "Os Anos de Portugal no Brasil, e do Brasil em Portugal", que decorre entre setembro deste ano e o dia 10 de junho de 2013.

Pintor, escultor, e performer, Hélio Oiticica foi um artista brasileiro considerado revolucionário no seu tempo, pela postura anarquista, e muitas vezes contestatária da sociedade e da própria arte.

De acordo com o diretor artístico do Museu Berardo, Pedro Lapa, a mostra estará patente entre 21 de setembro e 06 de janeiro de 2013.

"Hélio Oiticica morreu prematuramente, mas deixou uma obra de vanguarda importantíssima", salientou o crítico de arte, recordando que a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, lhe dedicou uma exposição em 1992.

A exposição Tropicália, concebida pelo artista nos anos 1960, inspirou o nome e ajudou a consolidar a estética do movimento tropicalista na música brasileira.

Quanto às outras exposições previstas para o Museu Berardo em 2013, Pedro Lapa apontou que, "não sabendo como será o próximo ano a nível de orçamento, é muito difícil programar nestas condições".

"Quando um museu quer estar num nível internacional, deve programar exposições com três anos de antecipação", avaliou, dando o exemplo do MOMA - Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, que "não aceita pedidos para colaborações com menos de dois anos de antecedência".

Neste contexto, o museu vai tentar cada vez mais mostrar as obras da própria coleção, em parte já patente na exposição permanente.

Sobre a cláusula do acordo assinado em 2006, de ambas as partes entregarem, cada uma, anualmente, 500 mil euros para a aquisição de novas obras para a atualização da coleção, o responsável indicou que esse investimento parou já no final da tutela anterior da Cultura, liderada por Gabriela Canavilhas.

Para Pedro Lapa, que tem desde há um ano a responsabilidade da direção artística do Museu Berardo, depois da saída de Jean-François Chougnet, não obstante a "instabilidade económica e política", estes cinco anos são "um marco importante" para a vida entidade.

"Com a apresentação da exposição permanente desde o ano passado, reunindo uma seleção representativa da arte desde 1900 até à atualidade, dá-se toda a pertinência ao protocolo que foi assinado para a constituição do museu", salientou o diretor artístico.

Na opinião de Pedro Lapa, "Portugal passou a ter um espaço museológico com uma visão da arte do século XX. Foi algo sempre tão solicitado no país, e finalmente existe com um caráter de permanência".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG