Quebra do orçamento para metade reduziu exposições de 12 para quatro

O diretor artístico do Museu Coleção Berardo, Pedro Lapa, revelou hoje que a quebra de 50 por cento no orçamento obrigou a uma reformulação da programação, reduzindo as exposições temporárias de 12 para quatro, a partir deste ano.

"As profundas alterações que o país viveu, devido à crise, também se refletiram no museu", avaliou o responsável numa entrevista à agência Lusa a propósito do quinto aniversário da entidade, que se assinala na próxima segunda-feira.

A redução no orçamento de 2012 "obrigou a um adiamento ou cancelamento de um conjunto de atividades previstas" e, face a esta nova situação, o museu "teve de encontrar alternativas", resumiu.

O Museu Berardo chegou a ter 12 exposições temporárias por ano, desde a inauguração, a 25 de junho de 2007, mas a partir deste ano, devido aos constrangimentos financeiros, deverão passar para quatro.

Há cinco anos, o Museu Berardo foi inaugurado no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, na sequência de um acordo assinado em 2006, entre o Governo e o colecionador e empresário madeirense José (Joe) Berardo, válido por um prazo de dez anos.

No acordo, foi determinado que o museu abria com um acervo inicial de 862 obras da coleção de arte moderna e contemporânea de Joe Berardo, na altura avaliadas em 316 milhões de euros pela Christie"s, leiloeira escolhida por ambas as partes.

A meio dos dez anos de acordo, a Fundação Coleção Berardo - presidida pelo colecionador e onde o Estado e o Centro Cultural de Belém (CCB) têm representantes - foi confrontada, tal como outras fundações culturais do país, com um corte de financiamento por parte da Secretaria de Estado da Cultura.

De acordo com os dados do museu fornecidos à Lusa, o orçamento atribuído pelo Estado (da tutela da Cultura e do Turismo de Portugal) foi de quatro milhões em 2010, 3,35 milhões em 2011, e de 2,1 milhões em 2012, o que representa uma diminuição de 47,5% face a 2010 (-1,9 milhões).

Estas verbas provêm do orçamento da Cultura e do Turismo, sendo que a Cultura transferiu três milhões em 2010, 2,55 milhões em 2011 (-15%) e 2,1 milhões em 2012 (-30% acumulados).

Por seu lado, o Turismo de Portugal transferiu um milhão em 2010, 0,8 milhões em 2011, e não houve qualquer transferência em 2012, ainda segundo o museu.

De acordo com Pedro Lapa, "as receitas privadas têm conseguido manter-se, com a entrada de alguns mecenas e a saída de outros, mais ou menos constante, com tendência negativa, em consonância com a economia".

Quanto às visitas guiadas, como a grande maioria é para as escolas, "são gratuitas, sendo uma fonte de custo, e não de receita. Gratuitamente o museu proporciona visitas guiadas a 64 mil crianças e jovens anualmente", indicou o responsável.

Questionado sobre o contributo da loja do museu, "trata-se de uma concessão e, portanto, tem basicamente o valor de aluguer de um espaço comercial, não tendo expressão significativa nas receitas", explicou ainda Pedro Lapa.

No quadro do acordo, que foi aprovado no parlamento em forma de decreto-lei (166/2006), Joe Berardo cedeu a coleção por um período de dez anos, e o Estado cedeu o módulo 3 do CCB para mostrar o acervo, sendo ainda responsável pelas despesas de funcionamento.

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, chegou a falar numa nova avaliação da coleção, mas até agora não foram revelados oficialmente mais pormenores e, contactado pela Lusa a propósito deste quinto aniversário do Museu Berardo, o gabinete de comunicação da tutela disse apenas: "Não vamos fazer comentários sobre o museu".

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