Peticionários contra saída de Mirós fazem tributos

Os peticionários em defesa da manutenção da coleção Miró em Portugal vão realizar um tributo ao artista catalão no Porto, em Lisboa e em Londres, a partir de quinta-feira, com exposições, espetáculos e conferências, anunciou hoje a organização.

A iniciativa é do movimento lançado pela Casa da Liberdade - Mário Cesariny, em Lisboa, fundada pelo galerista e curador Carlos Cabral Nunes, tem como título "(Con)Tributos da Liberdade a Joan Miró" e conta com a participação de artistas, figuras da política e entidades ligadas à cultura, como Mário Soares, o pintor Cruzeiro Seixas ou os deputados Gabriela Canavilhas e Miguel Tiago.

De acordo com um comunicado divulgado pela Casa da Liberdade, a organização deste tributo surgiu na sequência da Parvalorem e da Parups terem solicitado a suspensão da providência cautelar interposta pelo Ministério Público, e aceite pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa (TACL), para impedir a saída da coleção do país.

A Parvalorem e a Parups são sociedades anónimas de capitais públicos criadas em 2010 pelo Estado para gerir os ativos e recuperar créditos do ex-Banco Português de Negócios (BPN).

Entre os ativos do BPN estava a coleção de 85 obras do artista catalão Joan Miró (1893-1983), que o Estado decidiu vender e a Christie"s contratada para leiloar, em Londres.

As empresas pretendiam enviar as obras para Londres até ao final de abril, para que fossem leiloadas em junho pela Christie"s, mas uma medida decretada pelo TACL impediu a saída e as empresas contestaram essa decisão.

"Tornou-se imperativo dar um sinal claro de que a sociedade portuguesa se opõe de forma veemente a essa venda e demanda as autoridades competentes para que viabilizem a exposição destas obras em Portugal, tendo em conta que todos os portugueses foram chamados a pagar as dívidas do BPN", sustentam os responsáveis da Casa da Liberdade.

Em janeiro deste ano, Carlos Cabral Nunes lançou uma petição online a favor da manutenção das obras no país, que obteve mais de 10 mil assinaturas e chegou a ser debatida no parlamento.

De acordo com a organização, o tributo começa na quinta-feira, no Porto, onde decorrerá até domingo, com um programa de exposições, espetáculos e conferências que decorrerão na Câmara Municipal do Porto, na Livraria Lello, na Fundação José Rodrigues, na Casa do Infante, na Cooperativa Árvore e no Palacete Viscondes de Balsemão.

O tributo prosseguirá em Lisboa, de 22 de maio a 23 de junho, e, em Londres, de 28 de maio a 23 de junho, segundo os organizadores, que vão disponibilizar o programa completo no sítio online www.joanmiroportugal.wordpress.com.

Ainda segundo a organização, participam nesta iniciativa artistas de várias áreas e personalidades ligadas à cultura e à política como Cruzeiro Seixas, Carlos Zingaro, Rui Zink, Alberto Pimenta, Edgar Pêra, Manuel João Vieira, José de Guimarães, Gabriela Canavilhas, Mário Soares, Miguel Tiago e João Oliveira.

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