Joana Vasconcelos põe uma 'Vespa' no quarto da rainha

As obras de Joana Vasconcelos estão a ocupar os vários espaços do Palácio da Ajuda, em Lisboa. A exposição inspirada naquela que se realizou em Versalhes em 2012 inaugura-se no dia 22 e pode ser visitada até 25 de agosto

Joana Vasconcelos está na Ajuda a convite do ex-secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Com a sua saída o projeto foi assumido por Jorge Barreto Xavier, o novo titular da Cultura, e por Isabel Godinho. "É com enorme prazer que fecho a minha carreira com chave de ouro, com uma exposição de Joana Vasconcelos", diz a diretora do palácio, que se vai reformar após 32 anos na Ajuda.

A ideia inicial era trazer as peças que estiveram no ano passado no Palácio de Versalhes, em França. Mas, com a ajuda do comissário Miguel Amado e após algumas visitas à Ajuda, ficou claro para Joana Vasconcelos que esta seria uma outra exposição: "Fiquei deslumbrada com o espaço. E quanto mais sabia as histórias do palácio, das salas, dos objetos que aqui estão, percebi que esta seria uma exposição muito diferente. Versalhes é um palácio quase sem decoração e sem móveis, muito despido de intimidade. A Ajuda é um palácio muito vivido, tem um lado doméstico, e eu quis usar isso."

Entre o andar de baixo, onde a família real vivia, com os quartos e salinhas, e o andar de cima, com os salões de receção, vão estar quase 40 peças. Algumas estiveram em Versalhes (como Vitral, Lilicoptère ou Royal Valquyrie) mas há muitas obras novas e outras que já não eram vistas há anos. Aqui não há ecos de Maria Antonieta mas há vestígios de Maria Pia, e essa foi também uma inspiração. No quarto da rainha estará uma enorme Vespa, com loiça de Bordalo e bordados do Pico. E na sua sala de toilette estará uma das peças novas, Tropicália.

Outra novidade é o facto de a exposição ser produzida pela Everything Is New. Mais habituada a fazer festivais de música, como o Optimus Alive, Álvaro Covões estreia-se com uma exposição e uma parceria inédita com o Estado: "Não havia condições neste momento para o Estado fazer uma exposição com custos tão elevados", explica Anabela Carvalho, da Direção-Geral do Património Cultural, que afirma que para a tutela esta exposição tem um "custo zero". A Everything Is New não só assegura todo o investimento como garante "a receita de bilheteira equivalente à que o palácio tem em média neste período" - até 25 de agosto. E se a receita de bilheteira for superior, o Palácio recebe 10% dos lucros.

Para Álvaro Covões as expectativas são grandes. A exposição de Versalhes teve 1,6 milhões mas, sublinha, os número de turistas de Paris não pode ser comparado com Lisboa. A exposição no Museu Berardo teve 167 mil visitantes, mas a entrada era gratuita e aqui, o bilhete custa 10 euros (o dobro do que é habitual para o Palácio). No ano passado, a Ajuda teve pouco mais de 50 mil visitantes.

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