Joana Vasconcelos é a rainha no Palácio da Ajuda

Artista inaugura hoje exposição com quase 40 peças em diálogo com o Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Para visitar até 25 de agosto.

Há duas "osgas" de loiça e renda a treparem pela parede forrada a seda da Sala Verde do Palácio Nacional da Ajuda. Há uma rã "escondida" entre as exuberantes peças em porcelana de Saxe que D. Maria Pia comprou para a Sala Rosa. Onde antes estava o cão de D. Luís, na Sala de Fumo do Rei, está agora um enorme caranguejo de loiça. Há um lustre feito de tampões femininos na Sala D. João IV, desafiando os nobres circunspectos representados no mural de José da Cunha Taborda. E um sofá com flores coloridas de plástico na Sala das Senhoras do Corpo Diplomático. Na divisão ao lado, ouve-se o festival eurovisão da canção de 1982 na televisão que está por debaixo da renda. E mais à frente é Amália que canta embalando a rotação do Coração Independente Vermelho, na Sala D. João VI.

Ao visitar a exposição de Joana Vasconcelos que hoje se inaugura no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, o mais difícil será mesmo conseguir prestar atenção a todos os pormenores. Desfrutar do palácio onde moraram D. Luís e D. Maria Pia, imaginar a família naqueles aposentos, prestar atenção ao mobiliário e à decoração. E, ao mesmo tempo, descobrir as peças da artista contemporânea, olhar de perto as loiças de Bordalo, os bordados do Pico, a tapeçaria de Portalegre. Decifrar o trabalho de Joana Vasconcelos, perceber o que faz cada uma dessas peças naquela sala específica, encontrar as relações e a ironia que é uma das suas marcas.

Esse é o desafio de quem visita. "A minha expectativa é que os portugueses sintam curiosidade de vir conhecer o seu património, seja o histórico seja o contemporâneo. E que se orgulhem", diz Joana Vasconcelos.

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