Chaves decreta dois dias de luto em memória de Nadir Afonso

A cidade de Chaves, terra natal do mestre Nadir Afonso, que faleceu hoje aos 93 anos, vai decretar dois dias de luto e inaugurar, em julho, a fundação com o seu nome para perpetuar a sua memória.

"Chaves e o país perderam hoje um homem notável e com uma obra ímpar. Ficamos mais pobres", afirmou à Lusa o presidente da Câmara de Chaves, António Cabeleira.

Na opinião do autarca, Nadir Afonso era um dos artistas "mais conceituados e notáveis" do mundo, pelo que a sua perda é "enorme" e a arte fica mais pobre.

Em homenagem ao mestre, o município vai decretar dois dias de luto municipal, hoje e quinta-feira, e colocar as bandeiras a meia haste.

Além disso, no dia da cidade, a 08 de julho de 2014, tenciona inaugurar a Fundação Nadir Afonso, situada numa das margens do rio Tâmega, da autoria do arquiteto Siza Vieira.

"Infelizmente, já não vai poder assistir à inauguração da sua fundação, mas a sua memória continuará presente através dela", disse António Cabeleira.

Chaves, segundo o presidente do município, tem um "grande apreço e carinho" pelo artista e, prova disso, é existir uma rua e uma escola com o seu nome.

A Fundação Nadir Afonso, um investimento de cerca de nove milhões de euros e financiada a 85% por fundos comunitários, deveria ter sido inaugurada este ano, mas foi o prazo foi alargado devido a uma paragem nas obras, por problemas financeiros da empresa construtora.

O lançamento da primeira pedra do edifício aconteceu em julho de 2011.

O imóvel vai dispor de salas de exposição, auditório, biblioteca, arquivo, espaços para acolher o espólio do artista e um ateliê.

António Cabeleira acredita que a fundação se irá transformar num "polo dinamizador" na programação cultural de Chaves e da região de Trás-os-Montes.

"A fundação será motivo de visita por gente de norte a sul do país e do estrangeiro", considerou.

Nadir Afonso, pintor e arquiteto, cuja obra figura entre as grandes referências da história da arte portuguesa do século XX, faleceu hoje, aos 93 anos, no Hospital de Cascais.

O funeral, segundo fonte da família, deverá realizar-se em Chaves, terra natal do artista.

O pintor licenciou-se em arquitetura e chegou a trabalhar com os arquitetos Le Corbusier e Óscar Niemeyer.

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