Berardo defende aposta na cultura para criar emprego

O colecionador e empresário Joe Berardo defendeu, em declarações à Lusa, que a cultura deveria ser uma prioridade para o Governo porque "é uma forma mais económica de criar emprego" no país.

Joe Berardo falava a propósito do quinto aniversário do museu, instalado em 2007 no Centro Cultural de Belém (CCB), na sequência de um acordo com o Estado, no qual cedeu parte da sua coleção de arte moderna e contemporânea por dez anos.

Passados cinco anos de vida do museu, o empresário madeirense diz que é "gratificante" a quantidade de visitantes alcançada - cerca de 3,4 milhões - no espaço expositivo, desde a abertura.

"Está provado que o museu é um sucesso para os portugueses e estrangeiros", salientou o comendador, defendendo uma maior aposta na cultura, no país.

Berardo considera que "uma das melhores maneiras de criar emprego, e de forma mais económica, é pela via cultural, abrindo mais museus, renovando museus", e que Portugal, "por ter tanta cultura num espaço tão pequeno", pode potenciar esses valores para atrair turistas.

Sobre a "difícil situação económica do país", que se refletiu nos cortes do orçamento do museu, obrigando à redução das exposições temporárias em dois terços, o colecionador opta por uma postura "realista".

"Não se pode continuar com os mesmos orçamentos. Há cortes em todas as áreas, e as pessoas da equipa do museu têm de ser flexíveis, e mostrar ao público aquilo que está guardado", avaliou o colecionador, referindo-se ao acervo de 862 peças da coleção cedida ao Estado até 2016.

Apesar dos cortes no financiamento das exposições, sente-se "orgulhoso, como português, por existir em Portugal um museu de arte moderna e contemporânea que cobre todo o século XX, até à atualidade".

Joe Berardo sublinhou ainda que, passados cinco anos, o objetivo do seu projeto continua a ser o mesmo: "Mostrar a coleção, e promover os artistas portugueses".

Recordou, como exemplo, a artista Joana Vasconcelos, que agora inaugurou uma exposição no Palácio de Versailles, em Paris, alvo de uma retrospetiva no Museu Berardo em 2010.

Questionado sobre a continuidade das entradas gratuitas - que assim se mantiveram ao longo dos cinco anos - o presidente da Fundação Berardo de Arte Moderna e Contemporânea indicou que o conselho de administração da entidade vai analisar a questão ainda este ano.

Desde a inauguração do museu que a manutenção das entradas gratuitas foi defendida por Joe Berardo, mas, devido aos cortes no orçamento, que ascendem a 50 por cento, a entidade pondera a possibilidade de cobrar as visitas às exposições temporárias, "as que acarretam maiores custos".

"Vamos avaliar e também estudar quanto custa introduzir um sistema de cobrança de bilhetes. Mas nada está ainda decidido", indicou o colecionador.

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