Berardo: alteração do acordo com o Estado só negociando

O coleccionador Joe Berardo alertou hoje que qualquer alteração ao acordo negociado até 2016 sobre o Museu Berardo terá de ser negociado entre as partes.

Em entrevista à agência Lusa, o comendador comentou assim a possibilidade de os cortes orçamentais na área da cultura afectarem aquele museu, inaugurado a 25 de Junho de 2007, que acolhe o espólio de arte moderna e contemporânea do empresário, estando sob gestão de uma fundação com participação pública.

'Realmente tivemos uma reunião com os presidentes das fundações que estão associadas ao Governo' sobre esta matéria, admitiu.

'Foi feito um acordo com o Governo, foi feita uma lei, aprovada no Parlamento, promulgada pelo Presidente da República, e temos cumprido tudo', salientou.
Berardo argumenta que um acordo implica obrigações para as partes envolvidas e que tem um acordo com o Estado até 2016.

'Os outros talvez não tenham', aponta, mencionando existirem fundações que 'estão dependentes do ministro da Cultura' e recebem ajudas anuais estipuladas pelo Orçamento de Estado.

'O meu acordo não depende disso. Não estou muito preocupado com as coisas, depois vamos resolver', garante.

O empresário realça que esta colecção 'foi feita para ficar em Portugal', depois de negociações que duraram semanas lideradas pelo seu advogado, Luís Patrão, que foi chefe de gabinete do primeiro ministro, para elaborar o referido acordo em termos legais.

Apesar de estar consciente de que 'existe uma crise financeira a nível mundial', Berardo reitera que 'existe um acordo que tem que ser respeitado', pelo que eventuais alterações terão que passar por reuniões entre os advogados 'para ver qual a melhor maneira de resolver o problema'.

'Tem que ser negociado, porque quando assino um acordo é para respeitar, quem assina comigo tem que respeitar, é um compromisso, e eu cumpri, porque o Museu teve mais de dois milhões de visitantes em três anos, o que é um recorde', sustenta.

Berardo declara 'não saber qual será a sua a reacção' caso a situação atinja um ponto de ruptura, mas considera que 'há sempre maneiras de resolver o problema e tem de haver é uma negociação para acertar as coisas'.

Berardo confirma que estão programadas reuniões para tratar deste assunto, que não está a ser resolvido de forma mais célere porque 'tem estado ocupado' com outros temas.

Entre eles estão outros assuntos financeiros, outros projectos, como a abertura do museu nas Caves Aliança e a exposição da exposição Art Déco no Centro das Artes Casas das Mudas, na Madeira, e a morte do seu 'amigo' Horácio Roque, com quem tinha negócios, pelo que, admitiu, 'existem coisas pendentes'.

'Se não quiserem respeitar o acordo eu também posso dizer que não vou respeitar', concluiu o empresário.

Clique aqui para aceder ao site do Museu Berardo

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