APGA questiona cortes na aquisição de obras de arte

A Associação Portuguesa das Galerias de Arte (APGA) questiona o Ministério da Cultura, em comunicado hoje divulgado, sobre os previstos cortes para a aquisição de obras de arte, nomeadamente as 'verbas devidas' às colecções Serralves e Berardo.

'Apelamos ao Ministério da Cultura para que reveja a sua posição sobre os cortes de verbas previstos para as aquisições de obras de arte', lê-se no comunicado em que refere que é 'gritante [a] discriminação dos artistas plásticos e demais agentes das artes visuais, face aos restantes agentes da cultura em Portugal'.

Em declarações à Lusa, o presidente da APGA, Pedro Ceras, esclareceu que 'estes cortes são os anunciados 800 mil euros à colecção de Serralves e 500 mil à Berardo'.

Por outro lado, salientou o facto de 'não ter sido feito qualquer aquisição de obras por parte do Estado e com estes cortes retirar hipótese daquelas instituições comprarem ás galerias de arte'.

'Uma questão tanto mais assinalável - prosseguiu - quando a actual ministra nos garantiu que o Estado não participaria directamente na internacionalização das galerias de arte mas compraria obras de arte às galerias que participassem em certames e feiras internacionais'.

No comunicado, a APGA afirma existir uma 'ausência total de apoios à participação em feiras de arte internacionais', bem como 'cortes draconianos nas aquisições de obras de arte'.

Esta atitude, alerta, 'terá efeitos nefastos e irreversíveis na criação artística nacional, e coloca em causa todo o trabalho de internacionalização da arte e artistas portugueses, levado a cabo na última década pelas galerias e artistas'.

A Associação apela ainda à ministra para que 'com urgência e de modo claro, comunique à APGA se está ou não disponível para celebrar o acordo de apoio à internacionalização (...) proposto há mais de um ano'.

 'Existe há mais de um ano no Ministério da Cultura um projecto de celebração de protocolo de apoio à internacionalização das galerias nacionais apresentado pela APGA, que contemplava obrigações para ambas as partes, e que nunca obteve resposta por parte do ministério', refere o comunicado.

'A Senhora Ministra da Cultura informou a APGA, na única reunião que mantivemos, que uma das fórmulas que o Estado preconizava para este apoio se consubstanciava na aquisição de obras de arte às galerias que fossem aceites em feiras internacionais, o que ainda nunca se verificou', acentua.

Lembra ainda ao Ministério os 'compromissos de aquisições entretanto assumidos com as galerias e que, a não se concretizarem, poderão ter resultados imprevisíveis para alguns dos agentes envolvidos'.

Referindo-se à Fundação de Serralves, no Porto, e o Museu Colecção Berardo, em Lisboa, afirma a Associação que 'são as únicas instituições em Portugal participadas pelo Estado que intervêm no mercado nacional, através da aquisição de obras de arte nas galerias portuguesas'.

Segundo o mesmo documento, 'as galerias associadas da APGA representam a esmagadora maioria dos artistas plásticos portugueses'.

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