160 anos de Van Gogh em museu emprestado

Enquanto o museu com o nome do pintor está fechado para reabilitação, 75 obras, cartas e desenhos podem ser vistos na sucursal holandesa do Hermitage.

O museu Van Gogh é o mais visitado de Amesterdão, o 23.º do mundo, e reúne o maior acervo de obras do artista, mas no dia em que o artista que lhe dá nome faria 160 anos está coberto de andaimes e tapumes, à espera do fim das obras de manutenção e melhoramento da segurança do edifício. A boa notícia para os visitantes e para os cofres holandeses é que os quadros podem ser vistos na sucursal holandesa do russo Hermitage, também em Amesterdão.

"Vincent. O Museu Van Gogh no Hermitage" reúne 75 obras do pintor, "75 importantes obras do pintor", frisa o site do museu, "combinadas com cartas (elas próprias cheias de desenhos), desenhos e objetos pessoais", que raramente são mostrados em público devido à sua fragilidade. "Permite seguir Vincent na sua batalha pessoal até à essência do seu ser artístico, explorando os temas da sua arte", acrescentam - dos seus tempos na Holanda, passando por Paris e pelo Sul de França.

Entre as obras que fizeram o trajeto até ao Hermitage estão quadros conhecidos como as Mulheres Que Comem Batatas (do início da carreira), os Girassóis, O Quarto ou Amendoeira em Flor, "com surpreendentes combinações entre os primeiros e os últimos trabalhos". Alternam-se dois momentos fortes do percurso do artista: umas vezes mais preocupado com aspetos técnicos do seu trabalho, outros com a natureza e a vida rural ou, no final dos seus dias, coincidindo com o tempo que passou num hospício no Sul de França, a mutilação da orelha e o suicídio, em Auvers-sur-Oise (arredores de Paris), em 1890. As naturezas mortas que pinta para o quarto de pintor Paul Gauguin alternam com os autorretratos.

O museu chama-lhe "uma oportunidade para descobrir o trabalho de Vincent van Gogh de maneira completamente nova" e "num novo contexto" e pode ser visto até 25 de abril. No dia 1 de maio reabre então, já renovado, o famoso Museu Van Gogh.

As obras no edifício, no ano em que passam 40 anos sobre a inauguração do mesmo, obrigam a sacrificar receitas de público, cerca de 50%, segundo o The Art Newspaper. Um dos danos colaterais pode ser descer no ranking dos cem museus mais visitados do mundo elaborado anualmente por esta publicação. As contas de 2011, conhecidas na quarta-feira, colocam o museu holandês no 23.º lugar, com um total de 1,6 milhões de entradas (a larga maioria estrangeiros). Lucracrá o Hermitage, o quarto mais visitado da Holanda, mas fora da lista dos cem preferidos, com 569 mil registos.

O Museu Van Gogh e o Hermitage estão a uma distância de 2500 metros, assinalada com o projeto artístico Milha Van Gogh , assinada pelo holandês Henk Schut. O artista concebeu instalações sonoras e visuais ao longo dos cerca de 30 minutosa pé que dura o trajeto, uma aplicação para telemóvel e a Red Line, uma linha vermelha que literalmente une os dois museus e que foi colocada a cinco metros de altura do chão.

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