Portugal "de mão em mão" na Bienal de Veneza

A representação nacional no evento, condicionada aos 150 mil euros do orçamento, faz-se em forma de jornal.

Não há dinheiro, mas há pavilhão na 14.ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza. Ou, pelo menos, nas palavras do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, há uma "solução criativa" que cabe nos 150 mil euros de orçamento para mostrar o que se está a fazer em Portugal: um jornal em inglês, Homeland - News from Portugal, que será distribuído entre 7 de junho e 23 de novembro.

Notícias de Portugal que chegarão três semanas depois do fim oficial do programa de ajustamento da troika (19 de maio), no momento em que o País terá sobre si os holofotes da imprensa internacional. "A imagem que transmitimos não tem de ser de novo-riquismo ou materialidade, não é porque acaba o programa que temos de fazer um pavilhão deslumbrante", afirma Barreto Xavier, ao DN, no final da conferência de imprensa de apresentação do projeto, ontem, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

O jornal terá três edições de 55 mil exemplares cada e será distribuído pelo recinto da bienal, através de duas máquinas automáticas (a publicação é grátis) e por alguns ardinas, explica o arquiteto Pedro Campos Costa, comissário do projeto deste "pavilhão portátil", como lhe chama Barreto Xavier. Os 165 mil jornais em circulação pela cidade italiana deverão chegar a quase todos os visitantes.

Há dois anos, 170 mil passaram pelo evento da cidade italiana. "É ambicioso", diz Campos Costa. "O sucesso só se poderá avaliar em Veneza", diz o secretário de Estado.

A partir do tema Fundamentals, proposto pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, diretor desta edição da Bienal, Pedro Campos Costa concentrou-se na habitação. Nas páginas de Homeland vai fazer-se a avaliação e evolução do tema em Portugal (no ano em que, aliás, se comemoram 40 anos do nascimento do projeto SAAL - Serviço Ambulatório de Apoio Local, em que trabalharam Siza Vieira, Souto Moura e Gonçalo Byrne entre outros), e, por outro lado, mostra-se o crescimento de seis projetos urbanísticos, pedidos a seis ateliers portugueses, em parceria com seis arquitetos, em seis municípios portugueses, com seis tipologias diferentes.

Porto, Matosinhos, Loures, Lisboa, Setúbal e Évora são os seis municípios portugueses que acolhem os projetos de seis ateliers e seis arquitetos--editores, que o jornal Homeland - News from Portugal irá acompanhar durante os seis meses de duração da Bienal de Arquitetura de Veneza. Cada dupla trabalha uma tipologia habitacional diferente: a temporária (LIKE Architects e Mariana Pestana, no Porto), a informal (Ateliermob e Paulo Moreira), a unifamiliar (Sami Arquitetos e Susana Ventura, em Setúbal), a coletiva (ADOC e Miguel Eufrásia, em Loures), a rural (Miguel Marcelino e Pedro Clarke, para Évora) e a de reabilitação (Artéria e André Tavares, em Lisboa).

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