Louvre inaugurou há 20 anos a sua pirâmide de vidro e aço

Programa para celebrar a emblemática obra do arquitecto Ieo Ming Pei vai começar em Paris sexta-feira. Incluiu um debate sobre arquitectura de museus e a projecção de poemas de Jenny Holzer nas fachadas.

Polémica desde o anúncio da sua construção feito pelo então presidente François Mitterrand, a pirâmide que alberga a principal entrada do Louvre é actualmente um ícone de Paris e do museu mais visitado do mundo. Com 21 metros de altura, 34 de largura e assente numa superfície de mil metros quadrados, aquela obra-prima do arquitecto Ieo Ming Pei celebrou ontem os 20 anos da sua inauguração e é agora alvo de um vasto programa de comemorações.

Colóquios, concertos, projecções luminosas, conferências, publicações, sessões de cinema e passeios nocturnos musicais estão entre o rol de actividades que, segundo a agência Efe, terão início no próximo dia 3 de Abril. Com um programa dedicado à juventude e centrado na nova política de entradas gratuitas, em todos museus tutelados pelo Estado francês, oferecidas ao público entre os 18 e os 25 anos. De 7 a 10 de Abril, a artista norte-americana Jenny Holzer vai projectar vários poemas luminosos nas fachadas do museu.

A 8 de Abril vai ser homenageado Ieo Ming Pei - o arquitecto sino-americano (nascido em Cantão, em 1917), que em 1983 conquistou o Prémio Pritzker, autor de obras como o principal terminal do aeroporto JFK (Nova Iorque), o Rock n'Roll Hall of Fame (em Cleveland, também nos EUA) e o Museu de Arte Moderna do Luxemburgo.

Pei será um dos projectistas presentes num debate sobre arquitectura de museus, que contará com a participação de Rafael Moneo e Jean-Michel Wilmotte (autor da remodelação do Museu do Chiado, em Lisboa).

Pelo Museu do Louvre passaram em 2008, de acordo com os números divulgados pelo The Art Newspaper, 8,5 milhões de visitantes (o segundo mais visitado foi o British Museum, em Londres, com 5,93 milhões de pessoas). Um caso bem sucedido de integração da arquitectura contemporânea numa zona histórica, graças à "profunda redefinição da imagem pública e dos seus usos sociais", referem os promotores.

Rematado pela emblemática pirâmide de vidro e aço, o plano de Pei para o 'Grand Louvre' , que passou também pela requalificação do Jardim das Tulherias, foi tudo menos pacífico. Sofreu, por isso, várias alterações, como a redução do tamanho da pirâmide ou a retirada do projecto do grande corredor semi-subterrâneo por onde deveriam entrar, segundo as estimativas 4,5 milhões de pessoas por ano.

O plano implicou mesmo a realização de escavações arqueológicas na chamada Cour Napoléon, onde foi criada a ligação, no subsolo, entre as três alas do edifício em 'U'. Palácio Real fundado por Carlos V no século XIV, o Louvre, recorde-se, foi transformado em museu em 1793, quatro anos depois da Revolução Francesa.

Repartidas pelas alas Denon, Richelieu e Sully, as 300 salas do museu acolhem actualmente 55 mil peças (de um acervo que ascende às 450 mil), de antiguidades da Grécia, Roma e Antigo Egipto à Arte Islâmica, Escultura, Artes Decorativas ou Desenho. Sem esquecer, claro, a importantíssima colecção de Pintura, que tem como vedeta a famosa Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, principal atracção do Louvre e grande responsável pelas filas que diariamente se formam em redor da pirâmide.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG