Amy Adams diz que não vai em campanhas

A atriz de O Primeiro Encontro garante que não está a pensar em prémios. Amy Adams vai estar em dose dupla nos ecrãs portugueses (segue-se Animais Noturnos) e falou ao DN

No último Festival de Toronto, Amy Adams foi a atriz mais procurada. Além de Animais Noturnos, o thriller de Tom Ford, estava também em Arrival - O Primeiro Encontro, de Denis Villeneuve. Foi a estrela mais procurada, mais fotografada. Na restrita conferência de imprensa, em que o DN foi o único meio português, Villeneuve não marcou presença (as filmagens do novo Blade Runner impediram-no) e Jeremy Renner (que tem um papel mais secundário do que se poderia pensar...) mal abriu a boca. Os focos estavam todos na prodigiosa atriz que começou por dizer que foi uma sorte ter lido o argumento: "porque estava numa altura em que não estava a ler argumentos, estava a fazer uma pausa. Mas acabei por lê-lo. Resultado: fiquei apaixonada pelo projeto! Adorei a personagem e, às duas por três, estava de novo a ler de seguida o guião. Apesar de todos os elementos de ficção científica, é uma história de uma mulher, um conto de mãe para filha. Isso é tão lindo!"

Num momento de estado de graça em Hollywood, os grandes papéis em Animais Noturnos e neste filme não causam surpresa a ninguém, sobretudo para quem a viu em grande em obras como Dúvida, de John Patrick Shanley, Golpada Americana, de David O. Russell ou The Master - O Mentor, de P. T. Anderson. Adams é das melhores atrizes do cinema americano. "Interpretar uma personagem tão bem desenvolvida, com um nível intelectual forte e emocionalmente tão frágil foi uma grande prenda. Funciona também como um reflexo daquilo que as mulheres são capazes de fazer. Ela nem é só intelectualmente forte nem vulnerável ao nível emocional, é muito mais do que isso. Foi um prazer. Além do mais, foi uma grande oportunidade trabalhar com alguém como o Denis Villeneuve, que pôs tanta paixão neste projeto", esclarece.

Amy é aqui uma linguista chamada pelo governo americano para tentar interpretar a linguagem de extraterrestres que chegam ao nosso planeta. Uma mulher magoada pela dor da perda da filha - a tal vulnerabilidade de que fala.

Quando o DN lhe pergunta para qual dos dois filmes, este e Animais Noturnos, vai fazer campanha para a temporada dos prémios, claro que prefere a tirada politicamente correta: "Isto é o que dá fazer dois filmes que saem ao mesmo tempo! Mas não me preocupo com essas campanhas. O que me preocupa agora é a campanha presidencial americana..." - mal imaginava o final triste da candidata que ela e Hollywood inteira apoiavam.

Meio a brincar, um dos produtores do filme, ao seu lado nesta conferência, apresta-se a dizer: "este é o filme no qual ela vai ser nomeada!" Temos ainda tempo para lhe perguntar qual foi o momento em que sentiu que ganhou ou compreendeu a personagem: "abordei este argumento de forma muito aberta. Mal comecei a ler o guião fiquei logo tocada nos primeiros dez minutos, mas no final, quando ela fala com o general, é que me caiu tudo! E isso nunca me saiu da cabeça para a composição da personagem. Para tal, criei uma espécie de complexidade e dualidade para ela. Foi um desafio enorme para mim... A Louise é obrigada a fazer uma bela dança entre o tempo e o espaço."

Durante esta conferência, Amy fez questão de garantir que o desafio intenso de dar lógica a uma narrativa com algum pressuposto de interrogação filosófica e mística do tempo não lhe retirou um dever de ser como é sempre num plateau: "meticulosa, sou sempre assim. Houve uma altura em que me sentei com o Denis para perceber o arco temporal desta mulher. E, às tantas, percebi que para resultar era importante eu sentir-me com náuseas. Se estivesse com náuseas era sempre bom sinal", diz com um sorriso daqueles que vale um milhão de dólares.

A propósito de dólares, está neste momento a começar a rodagem de Uma História de Encantar 2, a sequela do êxito da Disney que fez muito pela sua carreira. Deverá ser o cachet mais alto até agora da sua carreira, a tal carreira que tanto a deixa ser Lois Lane nos filmes da DC Comics ou a musa de Tom Ford.

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