A Rapariga Dinamarquesa: "Lili era uma mulher e isso tinha de ser real"

Entrevista a Tom Hooper, realizador do filme que estreia esta quinta-feira nos cinemas

Chegámos a um ponto que um grande estúdio como a Universal tem a liberdade para dar luz verde a um filme sobre um transexual. Será um sinal dos tempos, sobretudo tendo em conta a coincidência de surgir na mesma altura em que se celebra uma série como Transparent ou o caso Caitlyn Jenner se torna muito mediático?

Curiosamente olhei sempre para este filme como uma produção pequena, um projeto pessoal de grande paixão. A Universal deixou-me fazer este pequeno projeto porque nunca seria muito caro. Não quis fazer este filme para falar de um tema, quis contar uma história de amor. Mas ainda há pouco lia uma reportagem nos Estados Unidos onde se relatava um aumento de violência crescente sobre mulheres transexuais. Será uma boa questão perceber se este filme poderá ajudar a acabar com algum preconceito.

Compreendo que haja alguma urgência em que se fale deste tema para se poder debater este problema de violência crescente...Mas antes da Universal andei muito tempo a tentar financiamento e estava muito complicado. Hoje, com o filme pronto muitos acham que é normal haver financiamento para esta história. Isso diz muito sobre os nossos dias, não acha?

Que tipo de cinema tentou fazer com esta história?

Tentei honrar a história desta mulher, fiquei muito tocado quando li pela primeira vez este argumento. Quero que seja cinema que abra um espaço de compaixão para todos aqueles que a sociedade marginaliza. Espero que esta história sobre género chegue a um público mais mainstream, mas não tenho expectativas se pode vir a ser um grande sucesso.

Por outro lado, o Eddie Redmayne traz uma empatia tão grande à personagem que o público está sempre com ele. Já tinha acontecido o mesmo no filme sobre o Stephen Hawking, nunca o largávamos, mesmo nas cenas onde fisicamente, como ator, ele já não podia fazer muito. Achei que era importante escolher um ator que trouxesse o público consigo. Aqui é impossível não estar do seu lado...Era muito importante que a Lili nunca fosse julgada e um ator como o Eddie conseguiu isso, conseguiu levar o público para essa viagem tão íntima.

Outro dos nossos desafios era tentar com que as pessoas não sentissem que o que estavam a ver era um homem a imitar uma mulher. Lili era uma mulher e isso tinha de ser real! Queríamos que a interpretação fosse como que uma permissão para entramos numa revelação. Revelação e não uma imitação. Queria mostrar toda aquela dor da transição. Dor e felicidade, ou seja um processo de grande ansiedade. Esse era o nosso desafio extremamente delicado, sobretudo porque era importante este processo não ser uma tragédia. Quis que o público percebesse que esta transição era o mais certo para a Lili.

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