"A nossa raiz é a música portuguesa"

Quatro anos depois da primeira apresentação, o Quinteto Lisboa está de regresso ao palco da Culturgest para mostrar o disco de estreia homónimo, editado no final de março

Já vem de trás a relação entre o músico João Gil e o letrista João Monge, companheiros de longa data em projetos tão fundamentais para música portuguesa como os Trovante, a Ala dos Namorados ou o Rio Grande. E foi novamente desta cumplicidade que, em 2012, surgiu o Quinteto Lisboa, agora de regresso com uma formação renovada e um disco homónimo de estreia, no qual se mantêm fiéis à missão inicial de trazer uma "alma nova" à música urbana portuguesa. Não sendo um grupo de fado, como fazem questão de sublinhar nesta entrevista o baixista Fernando Júdice e a vocalista Maria Berasarte (aos quais se juntam ainda José Peixoto na guitarra clássica, João Gil na guitarra acústica e Paulo de Carvalho na voz), o Quinteto Lisboa tem nele o ponto de partida para uma renovada viagem através das raízes e tradições musicais portuguesas, como hoje à noite vão mostrar no palco da Culturgest, exatamente no mesmo local onde tudo teve início, há quatro anos...

Como surgiu este projeto? Pode dizer-se que é uma segunda reunião do grupo?

Fernando Júdice (F.J.) - Não é propriamente uma segunda reunião, mas mais uma pequena reformulação do grupo.

Maria Berasarte (M.B.) - Sim, porque nem sequer tínhamos um disco com a primeira formação, fizemos alguns concertos e pouco mais.

F.J. - Na altura andávamos à procura de uma outra lógica de divulgação e inicialmente o grupo incluía também o Hélder Moutinho, que depois saiu. Isso foi em 2012. Há cerca de um ano, quando pensámos nesta reformulação e em gravar um disco, andámos à procura de quem o poderia substituir e surgiu a ideia do Paulo de Carvalho. Para além de ser um excelente cantor é uma pessoa que se identifica completamente com a nossa linguagem e participa de corpo e alma no projeto.

Como é que o Paulo de Carvalho reagiu ao convite?

F.J. - Mostrou-se logo interessado e muito agradado com a ideia. Nesse aspeto correu bastante bem, porque isto não é um grupo de fado, no sentido tradicional do termo. Temos a abordagem muito mais lateral ao fado, próxima da perspetiva dele enquanto cantor. E depois temos também a Maria, que é uma pessoa relacionada com o fado, mas exterior a ele. Aliás, nós somos todos exteriores ao fado, mas de alguma maneira identificados com ele.

Mas pode-se dizer que são um grupo de fado?

F.J. - É difícil responder a essa questão, porque a dada altura parece que andamos à procura de uma originalidade qualquer ou de uma renovação. Não se trata de nada disso. Andamos, isso sim, à procura de fazer algo que nos agrade e com que nos identifiquemos.

M.B. - Este projeto é muito diferente de tudo o resto que fazemos nas nossas carreiras. No Quinteto Lisboa, e como o próprio nome indica, a protagonista é Lisboa. A cidade e o que ela representa, nos lisboetas, nos portugueses, mas também a quem chega de fora. A mentalidade cosmopolita, que olha para outros mundos e acolhe muito bem a quem chega de fora. Este grupo representa isso e é por isso que é muito perigoso dizer simplesmente que fazemos fado. O fado está presente, claro, mas porque faz parte da cidade, porque é o som que se ouve nas ruas, mas a nossa estética é muito diferente. Aliás, se fosse fado, eu não estaria aqui (risos).

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