A Força está no Fest

O escultor britânico Brian Muir, responsável pelo capacete de Darth Vader, esteve em Espinho a partilhar memórias do universo Star Wars.

Lenda viva da cultura pop do cinema, Brian Muir, inglês de 65 anos, veio ao festival de cinema jovem de Espinho, o Fest, falar da sua arte de escultor em cinema. Muir disse ontem ao DN estar muito satisfeito com a sua masterclass no Auditório do Multimeios, onde foi recebido como um herói, coisa a que já está mais do que habituado. Ao fim e ao cabo, este é o criador do capacete de Darth Vader e tido como um dos escultores mais procurados de Hollywood.

Ao fim de mais de 40 anos de carreira, reformou-se recentemente depois de ter ajudado a criar figuras e elementos para os cenários de Rogue One: Uma História Star Wars (2016). Agora, diz, adora viajar - já o tínhamos encontrado em Orlando, na convenção do 40.º aniversário da Guerra das Estrelas, onde é sempre recebido como um verdadeiro deus.

Além da participação em Star Wars, Muir foi fundamental para a estilização de marcos como quatro filmes Harry Potter, além de sagas como Lara Croft e Indiana Jones. "Ganhei bom dinheiro, confesso, mas agora é tempo para me afastar. Se os avanços técnicos do CGI (imagens criadas por computador) têm que ver com isso? Não! O CGI, quando bem usado, é uma coisa maravilhosa. Não pode é ser o único elemento a ser usado. Os atores continuam a gostar de reagir a um pouco de cenário ou a algum tipo de adereço físico! Por exemplo, em Gladiador, de Sir Ridley Scott, usaram-se cenários imensos mas também uma cidade virtual via CGI. O resultado foi espantoso!"

Dê por onde der, este pai de Darth Vader estará sempre ligado ao universo Star Wars. Muir fica para a história por ser também um dos responsáveis dos droids da Death Star, do andróide C-3PO e da armadura dos míticos Stormtroopers. Quando lhe perguntamos o que acha da máscara de Kylo Ren, o novo vilão de Star Wars, sorri e acena em sinal de aprovação, mas depois descai-se: "Prefiro a de Darth Vader." Seja como for, não nega: "Faço parte da família Star Wars, mas o que é incrível é que nos últimos 5 anos a loucura em torno do fenómeno aumentou. O Despertar da Força deixou as pessoas loucas! Curiosamente, antes eram mais os homens nas convenções Star Wars, agora é igual. Aliás, no ano passado estive numa convenção espetacular na China e achei que as mulheres estavam em número superior."

Como curiosidade, este escultor com estudos numa escola de arte, nunca quis trabalhar fora da indústria do cinema: "Os meus colegas da escola de arte consideravam-se artistas e chamavam-me artista comercial. Esses, anos mais tarde, telefonavam-me a pedir um emprego. Vou-lhe ser franco: nunca quis expor, mas é claro que me considero um artista." Um artista que para criar era capaz de investigar até aos limites. O coração arrepiante que vemos em Indiana Jones e o Templo da Morte, de Steven Spielberg, foi criado depois de uma extensa pesquisa que o chegou a levar a uma sala de operações. "Estranhamente, ou não, acabei por me inspirar mais no coração das ovelhas..."

Do Fest diz que vai levar boas memórias: "Além da boa adesão à minha masterclass, estou a gostar da maneira como me recebem. É um festival todo muito informal. Isso é ótimo." O resto da reforma vai ser continuar a viajar, por festivais e convenções, mas também a tentar ver filmes sem um olhar muito analítico: "Agora vou tentar ver filmes e divertir-me com eles."

Festa de cinema de dimensão internacional

Num festival com mais estrangeiros do que portugueses, é possível o espectador tomar um café com Melissa Leo, a vencedora do Óscar de melhor atriz secundária em The Fighter, de David O. Russell; jantar com os cineastas numa piscina ou ouvir um Training Ground com Nuno Lopes, onde o ator português confessa que um dos seus grandes adversários é a opinião que tem de si próprio como ator. O Fest - New Directors, New Films Festival, em Espinho, tem estes sortilégios mas quem o visita desde segunda-feira já percebeu que é um certame mais pensado para um público de jovens profissionais: cineastas, técnicos e atores vindos de todos os cantos da Europa. Falta-lhe vibração de festival, mas sobra-lhe dimensão de evento internacional.

Até à próxima segunda-feira ainda há muitas palestras (aqui denominadas de trainining grounds), sessões de cinema e festas na praia (onde se incentiva o networking cinematográfico). Amanhã, destaque para um dos filmes em competição para o Lince de Ouro, Park, da grega Sofia Exarchou, sucesso no circuito dos mais prestigiados festivais mundiais. Passa às 21.00 no Auditório do Multimeios.

No que toca aos workshops e masterclasses do Training Ground, hoje prevê-se lotação esgotada para a palestra da atriz Melissa Leo. Chama-se "Representar em produções independentes". Leo, que agora pode ser vista na série de televisão I"m Dying up Here (em Portugal nos canais TVCine & Séries) confessou ao Diário de Notícias estar apaixonada pelo festival, "diferente" de todos os que conhece.

De estranhar que até agora só tenhamos visto em Espinho um único ator português, precisamente Nuno Lopes.

Pelo auditório do Casino e pelo Multimeios é também possível esbarrar com Ed Lachman, realizador de Ken Park, filme feito a meias com Larry Clark, e diretor de fotografia habitué do cinema de Todd Haynes. Lachman esteve ontem no Training Ground a falar da sua experiência em plateaux de filmes como Carol, de Todd Haynes, ou Testemunha Involuntária, de Dennis Hopper.

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