"O filme é um milagre, nunca aconteceu isto no cinema em Portugal"

Patrícia Vasconcelos transformou um exercício da sua escola num filme a estrear esta quinta-feira em 50 salas: "O Amor é Lindo... Porque Sim", realizado por Vincent Alves do Ó, com Maria Rueff e Sílvia Rizzo

Como nasce este projeto? Como conseguiu que um filme não profissional chegue a 50 salas?

No curso da minha escola, a ACT, os alunos do terceiro ano têm exercícios práticos, quer em teatro quer com uma câmara para técnicas de cinema. Ora bem, o Vincent Alves do Ó, que é o professor permanente de cinema, o ano passado desafiou-me: porque não fazermos um filme com um guião que ele tinha? Um filme com a ambição de, quiçá, vir a estrear-se. Como adoro desafios, disse "bora lá"!.

Eu e a Elsa Valentim, a diretora pedagógica da escola, lemos o guião, e decidimos avançar. A ACT é uma escola que é uma associação sem fins lucrativos, não tem dinheiro, mas decidimos avançar para este filme! A mistura com atores da escola e os profissionais pareceu-me muito interessante. Na altura fomos ter com a NOS Audiovisuais que se mostrou logo interessada. Depois de uma segunda versão de montagem quiseram logo estrear com uma aposta grande de chegar a cinquenta salas. Aí fiquei meio perplexa, pensei "espera aí, isso nunca fiz na vida!". Não tenho qualquer pretensão em ser produtora.

A Patrícia Vasconcelos será então produtora de um filme só?

Sim, nestas condições não voltarei a ser. Fizemos este filme apenas com o orçamento que contemplávamos para os exercícios de câmara, esticando-o para três semanas de rodagem, e com uma pequena ajuda da Câmara de Lisboa. Mas essencial foi a ajuda dos atores, os profissionais mas também os alunos, que deram o litro. Este filme só foi possível graças a tanto amor e generosidade de tanta gente.

Mas gostou de ser produtora?

Não foi a primeira vez que me desafiaram... Devo dizer que tenho alma de produtora. Enfim, já produzi uma escola de atores e três galas da Academia de Cinema. Até poderia ter jeito para produzir cinema mas não tenho qualquer interesse. Adoro aquilo que faço! Tenho três profissões distintas: sou diretora de casting, diretora de uma escola e canto. Agora ainda vou fazer também um programa de tv, o Sei quem Ele É, que está na forja na RTP. Não tenho qualquer vontade de acrescentar mais nada.

Sente que o filme vai ser um sucesso de bilheteira?

Não tenho qualquer expectativa! Se forem 10 espetadores já fico muito contente.

Acima de tudo assume que é um cartão-de-visita para a sua ACT...

Sim, claro que é um bom cartão-de-visita, sobretudo depois de há dois anos termos tido um fundador que foi embora e abriu uma escola paralela. Mas convém mesmo lembrar que é um filme não profissional, feito por profissionais e sem nenhum subsídio do Estado. O filme é um milagre, nunca aconteceu isto no cinema em Portugal.

Os puristas do cinema português vão ficar assim um pouco com a sobrancelha levantada?

Se o filme correr bem, acho que sim. Nunca iremos repetir uma experiência deste género nestes moldes! Mas estou muito contente com o resultado dos atores alunos! E é isso aquilo que nos mais enche de orgulho. O propósito deste filme é lançar jovens atores... e não envergonha ninguém.

O seu pai esteve na antestreia. Qual a opinião do realizador António-Pedro Vasconcelos?

Depois da antestreia, que correu muito bem e onde esteve o Primeiro-Ministro, nem consegui falar com o meu pai. Tem sido uma azáfama tal que nem sei o que ele pensa.

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