Exclusivo Snu, mulher com biografia própria

"Uma princesa nórdica a dormir num esquife de gelo à espera de um beijo de fogo", foi assim que Natália Correia insinuou a figura de Snu Abecassis no espírito do seu amigo Francisco Sá Carneiro.

Com o cabelo louro preso em "banana" e vison comprido, Snu Abecassis não tem ainda 30 anos quando entra na sede da PIDE para prestar declarações. Dizem-lhe que publica livros subversivos, pouco propícios à santidade da família portuguesa e da integridade da pátria. Não se intimida. A escolha da indumentária, nessa manhã, servira para a tornar mais poderosa e distante aos olhos do agente que a interpela. É como se lhe dissesse: "A mim não podes tocar" e, no entanto, "só" falam das insubordinações contidas no catálogo das Publicações Dom Quixote.

Para que se destacasse na vida pública portuguesa, à dinamarquesa Snu teria bastado a fundação da Dom Quixote em 1965, e o carácter de intervenção cívica que procurou imprimir-lhe desde a primeira hora. No entanto, seria como protagonista de uma paixão irresistível e transformadora, vivida com o líder do Partido Popular Democrata (PPD), mais tarde primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, que Portugal a conheceria (e se dividiria entre os que lhe reconheciam a coragem e os que a apontaram a dedo)."Um amor que se sobrepôs à razão de Estado", como lhe chamou Natália Correia numa entrevista concedida à RTP em 1990, no décimo aniversário da morte do casal, a bordo do fatídico Cessna ...Um amor que falou mais alto do que convenções sociais, condenações da Igreja Católica e conveniências políticas e a que só a morte de ambos ditou o fim.

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