Premium O jesuíta beirão a quem o Vietname deve o alfabeto

O Vietname adotou o alfabeto latino e isso deve-se sobretudo ao trabalho de Francisco de Pina, que no século XVII aprendeu a língua local, o anamita, estudou-a a fundo e finalmente avançou com a sua romanização.

Na China, os velhos ideogramas foram modernizados. No Japão, aos tradicionais caracteres chineses somaram-se dois silabários para maior eficácia. E nas Coreias independentes, foi-se buscar o revolucionário sistema hangul inventado por um rei. Mesmo assim, quem já visitou esses países do Extremo Oriente sabe que para um ocidental qualquer cartaz, jornal ou livro lá permanece um mistério. O mesmo não acontece, porém, no Vietname, pois esse país asiático adotou o alfabeto latino e isso deve-se sobretudo ao trabalho de um jesuíta português, Francisco de Pina, que aprendeu a língua local, o anamita, estudou-a a fundo e finalmente avançou com a sua romanização. Tudo isto há 400 anos. E se o sacerdote nascido na Guarda em 1585 não tivesse morrido num naufrágio em Hoi An (Faifo) com apenas 40 anos, seria também dele o primeiro Dicionário de Português-Vietnamita.

"Francisco de Pina aprendeu a língua do Vietname, o anamita, com tal perfeição que chegou a ser professor dos seus companheiros. Foi ele o inventor do alfabeto romanizado anamita, chamado quôc-ngu, utilizado pelo jesuíta Gaspar do Amaral no seu Dicionário Anamita-Português, e, posteriormente, pelo jesuíta francês Alexandre de Rhodes", explica Francisco Correia, também ele sacerdote jesuíta.

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