Atualidade

Leonídio Paulo Ferreira

Kamala, muito mais do que Obama em feminino

Ouvi pela primeira vez o nome de Kamala Harris, agora candidata do Partido Democrático a vice-presidente, quando estive em outubro de 2016 na Califórnia numa reportagem para o DN com a comunidade portuguesa em San Diego. Era como hoje tempo de campanha eleitoral para a Casa Branca, e Hillary Clinton ainda surgia como favorita perante Donald Trump, mas também se renovava o Congresso e Harris destacava-se como candidata ao Senado.

Leonídio Paulo Ferreira

Mohammad Javad Zarif

Uso do Conselho de Segurança para destruir o Conselho de Segurança

Aquilo a que nós, no Irão - o alvo de um regime de sanções vicioso e indiscriminado - temos assistido por parte da actual administração americana, é bastante simples: não existe uma grande visão para uma comunidade global alternativa. A inconstância e imprevisibilidade dos EUA nada têm que ver com a implementação magistral da teoria dos jogos. Pelo contrário, quer se trate da sua (má) gestão na abordagem à COVID19 a nível interno ou da sua insistência em minar a paz e estabilidade a nível internacional, o actual regime de Washington não tem qualquer plano real, excepto atacar frontalmente aqueles que se mantêm fiéis ao Estado de direito.

Ana Paula Laborinho

Cultura é (também) economia

No início da minha carreira (que vai longa), Mário Viegas deu-me uma lição que nunca esqueci. Grande ator e encenador, desaparecido prematuramente em 1996 com apenas 47 anos, era também um recitador único que acrescentava sentido aos textos (é inesquecível a sua interpretação da "Tabacaria" de Fernando Pessoa ou do "Manifesto Anti-Dantas" de Almada Negreiros). Como jovem professora de Português numa escola secundária de Lisboa, nos idos de 80, organizei uma sessão de poesia para os alunos e convidei Mário Viegas, que, no seu tom verrinoso, me perguntou quanto pagávamos. Perante a minha quase explícita indignação, retorquiu: "Costuma ir ao dentista sem pagar?"

Ana Paula Laborinho

Rute Agulhas

Sobreviver ao stress das férias em família

Passamos o ano inteiro em contagem decrescente para as férias e, quando elas chegam... é um stress! Pois é, mesmo as situações muito desejadas, como ter um tempo de descanso, originam frequentemente a sensação de que a balança do stress e desequilibrou - sentimos que não temos recursos suficientes para lidar com a exigência das situações. Nas férias tendemos a idealizar cenários paradisíacos, pessoas felizes e em harmonia, com o chilrear dos passarinhos como pano de fundo. Acreditamos ainda que vamos conseguir fazer as 30 mil coisas que andámos a adiar e que teremos todo o tempo do mundo. Mas a realidade não é bem assim... começa pela escolha do destino de férias, nem sempre consensual, passando depois pelos preparativos para a viagem, quando tentamos acomodar as malas que transbordam e nos fazem questionar se não estaremos, afinal, a mudar de casa. Os miúdos gritam e batem nos irmãos, fazem birras a toda a hora e desafiam a paciência dos mais santos. Os adolescentes vivem com a cabeça enfiada no telemóvel, a dizerem mal de tudo e de todos e com cara de quem faz frete (e faz mesmo). Os pais, sogros, primos e primas que não se viam há algum tempo, as conversas incómodas e as perguntas às quais ninguém quer responder. Os casais tensos, o telemóvel do trabalho que não para de apitar e aquela sensação de que os dias, afinal, têm bem mais do que 24 horas... Neste contexto, sentimo-nos irritados e sem paciência, refilamos com as pessoas à nossa volta e tendemos a descarregar nos cigarros, nos cafés ou no álcool que se revelam, afinal, óptimas formas de anestesiar o stress. Mas serão estas as melhores soluções? Como sobreviver ao stress das férias em família?

Rute Agulhas

Margarita Correia

O português, o IILP e o sistema global das línguas

Em 2001, na obra Words of World, Abram de Swaan propõe que o "sistema global das línguas" é parte integrante do "sistema mundial", e que este, além da linguística, comporta uma dimensão política, uma económica e uma cultural. Propõe ainda que o sistema global das línguas se organiza em constelação, cujo centro é atualmente o inglês, língua hipercentral. Em torno do inglês gravitam 12 línguas supercentrais (alemão, árabe, chinês, espanhol, francês, hindi, japonês, malaio, português, russo e suaíli), de âmbito internacional, e todas, à exceção do suaíli, com mais de cem milhões de falantes cada. Em torno das línguas supercentrais, gravitam cerca de cem línguas centrais, em conjunto faladas por cerca de 95% da população mundial, que têm em comum o serem frequentemente "línguas nacionais" ("national languages", segundo o autor), oficiais dos países ou regiões onde são faladas, de registo escrito, usadas na comunicação, na política, na administração, na justiça e no ensino. Finalmente, as línguas periféricas ou minoritárias, provavelmente mais de seis mil, constituem cerca de 98% das línguas existentes, mas são, em conjunto, faladas por cerca de 10% da população mundial, línguas de memória, com escassa tradição escrita. Para de Swaan, este sistema assenta no multilinguismo, i.e., grande parte da população mundial fala mais do que uma língua, pelo menos duas de "órbitas" diferentes. Os falantes de uma língua periférica usam em geral uma língua central, quando necessitam de comunicar com falantes de outra língua periférica; os falantes de línguas centrais diferentes recorrem a uma língua supercentral como veicular; e, por fim, o inglês é veicular para os falantes de línguas supercentrais diferentes. A veicularidade constitui-se, portanto, como importante mais-valia para as línguas.

Margarita Correia

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Ana Margarida Lourenço é professora de inglês em Pequim e conta como está a viver a pandemia de Covid-19

Uma professora portuguesa fala dos dias de pandemia em Pequim

Ana Margarida Lourenço é professora de inglês em Pequim. Mas para percebermos como ela lá foi parar é preciso fazer uma viagem no tempo até 2006, a uma experiência no Parlamento Europeu que terá sido um momento revelador na vida de uma apaixonada por línguas e com uma vontade imensa de conhecer o mundo. A paixão pelo mandarim falou mais alto e levou-a a abraçar por inteiro o país do sol nascente. 2020 começou com a celebração do ano chinês com uma viagem ao Japão, mas o regresso foi um mergulho num "novo normal" até então inimaginável. Ela conta tudo, neste episódio especial do Cartaz da Quarentena.