Pixel 6. Provavelmente, o melhor telefone que tentam não o deixar comprar

A Google criou um aparelho topo de gama capaz de fazer frente à concorrência. Mas que por alguma razão acha que o mercado português não o merece.

Ao fim de seis gerações e tantos outros anos de tentativas a Google parece ter finalmente conseguido criar um smartphone capaz de concorrer com a Samsung e com a Apple. O Pixel 6, lançado na semana passada, tem ainda por cima um preço bem competitivo e até um processador "feito em casa" promissor. Só que nós não o merecemos...

"Dona" do Android, o sistema operativo de smartphones mais utilizado do mundo, a Google também faz, ela própria, smartphones. Os Pixel vão agora na sexta geração e, tanto na versão "normal" como na Pro apresentam-se como opções realistas aos Apple, aos Samsung ou ao melhor que as marcas chinesas têm para oferecer. Isto é, se conseguir comprar um.

A marca americana tenciona vender o novo telefone em apenas 12 mercados no mundo e Portugal não está entre eles. Na União Europeia, para já é França e Alemanha quem os têm. Ao todo são nove países, de um total de 12 previstas. A Google, que é global na internet, reduziu o mundo para o seu hardware a um clube de regiões privilegiadas, dividindo a própria UE. Está no seu direito., mas é uma pena...

Além de que há sempre as compras online (dos revendedores), um passeio ao estrangeiro...

Android 12 e um novo processador

Desde logo o Pixel 6 e o Pro trazem o novo Andoid 12, que literalmente revolucionam a forma como as notificações são apresentadas, agrupando-as por app ou separando-as se não forem em jeito de conversação, criando ainda a possibilidade de as "adormecer" por um período de tempo, como um despertador.

Além disso, as opções de personalização dos temas são muito maiores e os widgets mais versáteis.

Apesar de o Android 12 não ser exclusivo do Pixel -- acabará por surgir em todos os outros smartphones Android de última geração --, estes serão os primeiros a receber esta atualização. Além disso, por ser um produto Google, corre o Android "puro", sem introdução de bloatware (apps ou outras alterações de software do fabricante do aparelho), o que pode ser considerado uma vantagem

O Pixel 6 estreia ainda o primeiro processador da própria Google. Designado Tensor, apesar de -- segundo os testes publicados na imprensa especializada -- não ter benchmarks particularmente excecionais, segundo as críticas até agora divulgadas, demonstra uma capacidade acima da média de funcionamento no "mundo real".

A própria Google assume que o Tensor, de 5 nanómetros, composto por dois cores 2,8 GHz Cortex-X1, dois cores 2,25 GHz Cortex-A76 e quatro cores 1.8 GHz Cortex-A55, é especialmente vocacionado para processamento de software de inteligência artificial, tanto nas aplicações atuais -- como o Google Assistant --, como futuras. E isso já se nota.

Night Sight e Magic Eraser

Uma das características mais marcantes do hardware Pixel 6 é a barra transversal que alberga as câmaras na zona posterior. Não apenas o diferencia de toda a concorrência, como é bem capaz de ser uma daquelas características de "ama-se ou odeia-se".

Note-se ainda a ausência do muito comum sensor de impressões digitais nesta zona. Isto porque a Google optou por um sensor sob o ecrã, o que não é exatamente novidade, mas ainda é pouco comum.

O novo Pixel tem câmaras de 50 megapíxeis (MP) e 12 MP de grande angular (mais 48 MP de telefoto no Pro) que são, segundo as críticas, competentes, mas é a ajuda da inteligência artificial que faz a experiência mais completa.

Desde logo o Night Sight. não é novidade nos telefones Google mas tem evoluído. Trata-se de sistemas de software e inteligência artificial que permitem tirar fotos com pouquíssima luz, tentando compensar o que o hardware não é capaz de apanhar, com resultados surpreendentes. E aqui as capacidades do Tensor podem ajudar.

O mesmo acontece no Magic Eraser, uma nova funcionalidade do 6 que permite "apagar" seres ou objetos indesejados das imagens com alguns simples gestos, utilizando também algoritmos derivados de machine learning.

Com preços francamente competitivos -- cerca de 600 euros + IVA o "normal" e 900 euros + IVA o Pro -- estes aparelhos estariam sem dúvida em várias listas de desejos para este Natal de muitos portugueses não estivesse o mercado nacional fora das opções do gigante americano. Espanha, já agora, vai estar incluído, a partir do próximo ano, pelo que pode sempre ir a Badajoz comprar caramelos (meter gasolina. mais barata...) e trazer um telefone novo.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG