Trotinetas. Mais de 1500 norte-americanos feridos

Pelo menos 1500 pessoas receberam assistência hospitalar após acidentes com scooters elétricas nos Estados Unidos desde o final de 2017, altura em que se propagou a utilização desse meio de transporte.

A Consumer Reports, associação que publica uma revista sobre questões de consumo, contabilizou 1542 casos de atendimento nas urgências hospitalares desde o final de 2017. A investigação aponta que estes números, baseados em dados hospitalares e policiais, não são exaustivos e não incluem quatro mortes relacionadas com trotinetas elétricas e noticiadas pela comunicação social.

A associação chegou a este número após ter entrado em contacto com 110 hospitais e cinco centros de emergência de 47 cidades dos EUA onde existem trotinetas de aluguer de pelo menos uma das maiores empresas do ramo (Bird e Lime).

Segundo a Consumer Reports as lesões na cabeça, fraturas do nariz ou no antebraço representam o maior número de ferimentos. Os utilizadores são encorajados pelas empresas de aluguer a usar capacetes, mas não existe um quadro jurídico vinculativo.

A Associação Médica Americana recomenda o uso de capacetes. "Para utilizadores de trotinetas, a AMA recomenda o uso de equipamento de proteção completo, incluindo capacetes, cotoveleiras e joelheiras certificados e sapatos fechados. Os utilizadores devem tomar as medidas de segurança apropriadas para evitar lesões", disse a associação médica à Consumer Reports.

William Kairala, que no ano passado sofreu um acidente com gravidade na Califórnia, explica por que as pessoas não usam capacete. "Uma pessoa encontra uma trotineta, podes pegar nela e ir embora", diz à revista. "É um impulso momentâneo."

Outro dado relacionado com o uso de capacete. Um estudo publicado pelo programa de partilha de bicicletas em Seattle conclui que 91% dos ciclistas com bicicletas próprias utiliza capacete, só 20% o fazem quando utilizam bicicletas de aluguer.

A investigação da Consumer Reports aponta ainda para o facto de que muitos profissionais terem transmitido que os números eram necessariamente subestimados porque os hospitais, bombeiros ou polícias não especificam nos relatórios se a vítima estava de trotineta. Mais de metade dos serviços contactados não dispunha de dados pormenorizados.

Também não é possível calcular a taxa de incidência em função da distância percorrida, o que permitiria comparar a sua perigosidade com outros meios de transporte, como, por exemplo, a bicicleta.

As trotinetas elétricas alugadas através de uma aplicação no smartphone tornaram-se num modo de transporte popular em vários países nos últimos meses, Portugal incluído.

Mas também trazem a sua quota-parte de perigos, seja na estrada ou nos passeios. Nesta semana um estudante irlandês de 21 anos morreu após ser atropelado quando seguia na trotineta por um carro em Austin, Texas.

As startups americanas Bird e Lime cresceram rapidamente nos Estados Unidos e noutros países, mas há outras empresas no setor.

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