Teste permite saber se está infetado em 30 minutos. Em breve será possível num quarto de hora

Espanha vai começar a utilizar na próxima semana um teste rápido que já é feito nos aeroportos italianos. Laboratório americano garante que em breve será possível saber se está infetado em 15 minutos.

Um novo teste que deteta o coronavírus em apenas 30 minutos vai começar a ser distribuído em Espanha já a partir da próxima semana. É da responsabilidade da empresa Vircell e está certificado na categoria de testes rápidos e simples à covid-19, que podem ser repetidos com frequência.

Este teste foi desenvolvido na Coreia do Sul e já foi aprovado pela União Europeia em julho. É utilizado, por exemplo, nos aeroportos italianos, em pessoas que chegam de outros países cujo teste é obrigatório para entrar em território italiano. O resultado da maioria dos testes demora cerca de 24 a 48 horas a ser conhecido.

Nos Estados Unidos, um teste muito idêntico desenvolvido pela empresa Abbott já foi certificado pela Food and Drug Administration, e pode em breve começar a ser comercializado. O teste da Abbott, que oferece o resultado em 15 minutos, terá um custo aproximado de cinco dólares. "É um grande passo em frente no desenvolvimentos de testes rápidos que podem ser usados como excelentes ferramentas de saúde", referiu nesta semana Michael Mina, epidemiologista da Universidade de Harvard, à revista Science.

Tal como os testes PCR, estes testes rápidos detetam a presença do SARS-CoV-2 numa amostra. Mas enquanto o PCR procura material genético do vírus, os novos testes procuram proteínas na membrana do vírus.

No caso da PCR, o material genético é amplificado para obtenção em grande quantidade, com a vantagem de permitir detetar o vírus em amostras onde é escasso. No caso dos testes rápidos, as proteínas do vírus são pesquisadas diretamente, sem serem amplificadas.

Estudos baseados em simulações informáticas de evolução da pandemia demonstraram que os testes rápidos podem ser mais eficazes do que os PCR a conter a covid-19, apesar de terem uma sensibilidade mais baixa.

Isto porque entre o momento que uma determinada pessoa faz um teste PCR e lhe é comunicado o resultado podem passar um ou dois dias, às vezes até mais, e durante este período a pessoa em causa pode contagiar outras. Já um diagnóstico mais rápido permite que em caso de infeção essa pessoa esteja em contacto com menos indivíduos.

Um ensaio da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, estimou que um teste rápido repetido a cada três dias a todas as pessoas de uma determinada comunidade pode reduzir os contágios em 88%. Já um PCR feito a cada duas semanas à mesma comunidade só reduz a taxa de infeção em 40%.

Ainda de acordo com vários especialistas, os testes rápidos serão ainda de extrema utilidade para algumas atividades, como por exemplos concertos, peças de teatro e jogos de futebol, pois permitem saber o resultado num curto espaço de tempo e possibilitar que as pessoas possam acudir a estes atos.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que é o laboratório de referência em Portugal, o teste utilizado para diagnóstico laboratorial à covid-19 é a pesquisa molecular de SARS-CoV-2 por RT-PCR (reverse transcriptase - polymerase chain reaction), pesquisa do ácido nucleico com uma reação de PCR em tempo real.

Desde a sua entrada no laboratório, uma amostra leva, habitualmente, cerca de cinco horas até se obter um resultado. No entanto, neste momento são processadas e analisadas centenas de amostras por dia, o que pode fazer que leve mais algum tempo até se obter os resultados, explica fonte do INSA.

A generalidade dos laboratórios dá os resultados em 24 a 48 horas, embora salvaguarde que o tempo de espera pode ir até às 72 horas.

Em diversos hospitais portugueses, públicos e privados, estão disponíveis testes rápidos que oferecem resultados em 40 a 90 minutos, que são usados em situações excecionais como cirurgias, partos ou internamentos.

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