Sindicato diz que concurso para especialistas não resolve "grave carência de médicos"

A Federação Nacional dos Médicos afirmou este domingo que o concurso para médicos recém-especialistas anunciado pelo Governo no sábado "é uma medida positiva", mas não resolve a grave carência de profissionais no SNS.

É "impreterível a implementação de outras medidas". É assim que a Federação Nacional dos Médicos (Fnam), que vem reivindicando a "abertura atempada e periódica de concursos" para colocação de médicos especialistas, reage ao anúncio do governo de que vai abrir 482 vagas para especialistas.

Segundo este sindicato da classe, "as 482 vagas "são manifestamente insuficientes para suprir as necessidades identificadas em cada região", refere em comunicado.

"As vagas postas a concurso devem refletir as necessidades regionais em cada momento, de forma a dar a resposta adequada às necessidades dos utentes. Para isso, é imperativo que os concursos sejam acompanhados da divulgação transparente das necessidades identificadas em cada região e dos critérios que presidem à atribuição de vagas a cada unidade de saúde", argumenta a direção da Fnam na mesma nota.

"Entendemos que a abertura de concursos tem de estar em articulação com outras medidas de curto prazo, que passem pela valorização da carreira médica e pela negociação de uma grelha salarial digna, que permitam atrair e fixar médicos no SNS. Sem estas medidas, os concursos não passarão de meras medidas administrativas, com uma elevada proporção de vagas que ficam desertas, como temos assistido nos últimos anos", alerta.

O Governo anunciou no sábado que abriu concurso para contratar 482 médicos que terminaram a especialidade nas áreas hospitalar, medicina geral e familiar e saúde pública, que garante a colocação de todos os recém-especialistas.

O concurso para médicos recém-especialistas autoriza a abertura de um total de 482 postos de trabalho, dos quais 120 para médicos de família, 16 na área da saúde pública e 346 na área hospitalar.

Segundo o Ministério da Saúde, "trata-se de um número recorde de vagas para um concurso de segunda época e que garante a colocação de todos os recém-especialistas".

O concurso anunciado "vem na sequência da normal colocação de médicos após a conclusão da formação específica, não se revestindo de qualquer caráter de excecionalidade" e, portanto, "do cumprimento de um desígnio obrigatório por lei", desvaloriza a Fnam.

A Fnam reitera a disponibilidade para "negociar uma nova grelha salarial e medidas para a dignificação do exercício da profissão médica", esperando que o Ministério da Saúde demonstre "uma abertura negocial que contribua para a resolução dos problemas do SNS".

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