Se não se pode ir à escola, vai a escola a casa

Os Gymboree são centros educativos para crianças dos 0 aos 5 anos. E, agora, com a pandemia, passaram a ir a casa, a fazer atividades online e a reforçar as aulas particulares.

Madalena Vilela inaugurou o Gymboree Porto Norte, Centro de Desenvolvimento e Estimulação Infantil em Leça da Palmeira em fevereiro. É um espaço alternativo às creches e jardins-de-infância, mais personalizado e flexível nos horários. "Fazemos aulas para estimular os bebés a partir dos 0 anos. São brincadeiras que ajudam ao desenvolvimento motor e cognitivo", explica. Cinco semanas depois foi obrigada a fechar as portas devido à pandemia. Quando reabriram, a 18 de maio, encontraram pais receosos em relação à segurança sanitária dos filhos e houve que reinventar o negócio. Passaram a fazer as atividades também ao domicílio, o que se revelou um sucesso.

Os clientes são "pessoas com algum poder de compra e disponibilidade de tempo, que fazem questão dos filhos ficarem em casa pelo menos até aos 3 anos; outros tiveram más experiências em creches e, com a pandemia, há quem esteja sem trabalhar ou em teletrabalho. Procuram uma atividade para os filhos bebés, atividade essa que podem fazer em família ou só com uma professora, no nosso espaço ou em casa", explica Madalena Vilela.

O maior investimento foi em equipamento, grandes estruturas de madeira e que são mudadas de 15 em 15 dias, "para as aulas serem mais dinâmicas e porque os bebés rapidamente se cansam dos objetos". Os professores têm formações em desenvolvimento, nomeadamente, em reabilitação psicomotora e psicologia.

Maria João Reis tem um filho de 11 anos e uma filha de 21 meses, o rapaz sofre de asma, o que a obrigou a cuidados redobrados com o aparecimento da doença covid-19. Ele não vai à escola desde março e a menina também não está com outras crianças desde essa altura, a solução que a mãe encontrou foi fazer aulas particulares no Gymboree, que já conhecia.

A menina, a Maria, começou a frequentar o centro com 15 meses. "Andava à procura de um sítio onde ela pudesse estar com outras crianças mas não o dia todo, que não fosse uma coisa muito comprometedora, onde fizessem atividades específicas para a sua idade. Encontrei o Gymboree e gostei, uma das coisas que me agradou muito foi o facto de mudarem o equipamento e a configuração do espaço de 15 em 15 dias, ela também gostou muito. Veio a covid e fechou, mudou tudo", conta a mãe.

Regressaram em junho. "Por causa do irmão, achei melhor que a Marie não estivesse com outras crianças, temos aulas privadas com uma educadora, a Raquel". Compra pacotes de 10 aulas por 200 euros e faz duas aulas por semana, mas não é obrigatório podendo gerir o tempo como quiser.

Fala de Raquel Pinto, que é licenciada em reabilitação psicomotora e tem um mestrado em intervenção precoce. O seu trabalho é "promover competências de desenvolvimento, ter a certeza que as bases normativas ficam adquiridas e estimular essas bases para futuras aprendizagens, para que essas aprendizagens possam ser feitas de forma natural e harmoniosa". Trabalha, também, em contexto clínico, mas sempre com crianças.

Antes da pandemia, Raquel dava as aulas no Gymboree um espaço que não é grande e onde só podiam estar 12 crianças de cada vez. Agora, a lotação foi reduzida para um máximo de oito, depende, também, se estão com os pais ou não. Com a covid, passou a ir a casa, levando os materiais didáticos.

"As pessoas sentem-se mais seguras em casa. Os objetivos são os mesmos e continuamos com a participação da família porque é muito importante nesta idade. Mas há pessoas que estão em teletrabalho e sabemos que aproveitam a nossa ida a casa para fazer aquelas coisas que não conseguem fazer com as crianças. E há pais que não trabalham ou aproveitam uma folga para fazer essas aulas, que é o que pretendemos, envolver sempre a família", esclarece Raquel Pinto.

As mães são mais participativas e menos inibidas. "Os pais participam menos e são mais difíceis de conquistar", diz.

Após a reabertura, as pessoas compraram sobretudo pacotes de 10 aulas de hora e meia, que custam 200 euros no Gymboree Porto Norte. Os pais podem usar essas aulas quando quiserem (uma aula só é 25 euros) e conforme vai evoluindo a situação da pandemia. A ida ao domicílio custa mais cinco euros.

Com o evoluir da situação da doença no país, sentem que os pais estão a ganhar confiança e a voltar à modalidade de grupo. No programa Play & Learn são aulas de 45 minutos e uma vez por semana, custa 45 euros por mês. Os pacotes das manhãs, em alternativa à creche, custam entre 190 e 390 euros por mês.

As modalidades de frequência tanto podem ser adquiridas pelas famílias como pelas escolas. Há muitos estabelecimentos educativos que o estão a fazer, também para gerir melhor esta situação de pandemia, tanto públicas como privadas, garantem os responsáveis destes espaços.

Durante os meses em que estiveram fechados, as equipas dos Gymboree de Portugal, oito no total, aproveitaram para criar atividades online e que podem ser vistas gratuitamente. Há, ainda, destas aulas que funcionam como um complemento a quem já beneficia dos serviços do centro ou para quem paga uma mensalidade e que faz atividades com uma professora.

Criado nos EUA há 44 anos

Maria João Reis é uma das mães do Gymboree que faz as atividades com a filha e este é o modelo original destes centros para bebés, criado nos Estados Unidos há 44 anos. "Parte da aula é dada para a criança e outra parte é para o adulto, uma vez que vai ser o modelo da criança", explica Nuno Simões, quem trouxe o franchising para Portugal, há 14 anos.

Tem dois destes espaços no país, um no Lumiar e outro Faro. Em Portugal, além dos três Gymborees falados, há os de Cascais, Restelo, Carnaxide, Alcochete, Leiria e Funchal.

Nuno Simões trouxe o franchising por sentir que faltava este género de espaços no país. Tem quatro crianças filhos, entre os 10 meses e os 16 anos. "Sou formado em Gestão e trabalhava no mundo da consultadoria. Fui pai, andava à procura de um negócio que me permitisse ter mais tempo e encontrei o Gymboree. Percebi que era algo que me fazia falta enquanto pai e, se me fazia falta a mim, também fazia falta a outros pais. Faltava este tipo de educação, mais personalizada e moderna".

Os Gymboree de todo o mundo partem de um princípio que Nuno Simões explica ser comprovado pela ciência: "O desenvolvimento do cérebro humano é de 80 % entre os 0 e 3 anos, e de 90 % entre os 0 e 5. Há uma baliza relativamente curta no desenvolvimento humano, este período de vida é o mais fértil para ter o máximo de impacto".

A sua experiência de 14 anos permite-lhe estabelecer um perfil de pais que procuram estes espaços. "Tipicamente urbanos, mais sensíveis à questão do desenvolvimento infantil, conscientes que há coisas que não sabem. São pais que não querem uma creche formal, querem ocupar um período de tempo das crianças para se socializarem, para fazerem outras atividades".

São várias as modalidades da frequência dos centros, que, embora tendo uma dinâmica comum, podem variar ligeiramente de espaço para espaço. Nuno Simões, tem apostado nas atividades online e que os pais podem adaptar ao ambiente de casa, usando os objetos que têm, por exemplo, almofadas. O programa mais comum online implica o pagamento de 20 euros por mês e a pessoa tem uma aula semanal com um especialista. Tem mais de 15 mil horas visualizadas.

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