Fiolhais e Ann Druyan debatem Carl Sagan, o cosmos e eleições nos EUA

Em tempo de pandemia e de grandes decisões políticas mundiais, Ann Druyan e Carlos Fiolhais debatem o universo, o destino da humanidade e as ameaças que se lhe colocam. Acompanhe em direto esta noite.

Começa esta quarta-feira (21.00) o Mês da Ciência organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e o primeiro encontro semanal intitula-se Cosmos: Mundos Possíveis, que tem em pano de fundo o pensamento de Carl Sagan. Neste primeiro de vários programas estarão em debate Ann Druyan e Carlos Fiolhais, a co-criadora da série televisiva Cosmos, com Carl Sagan [com quem foi casada], e do livro Cosmos: Mundos Possíveis, e o físico Carlos Fiolhais, com moderação do jornalista Vasco Trigo.

A sessão pode ser vista em direto na página da Fundação Francisco Manuel dos Santos entre as 21.00 e as 22.00, ficando disponível para posteriores visualizações.

Inspirado no tema, Cosmos: Os Mundos Possíveis, Carlos Fiolhais considera que este é um assunto que não tem fim: "Tal como o universo provavelmente não terá fim, tudo o que pudermos dizer sobre ele é infinito."

O título do programa replica a último trabalho de Ann Druyan (1949) e faz parte de uma série da National Geographic, do qual é produtora. É uma segunda sequela da série Cosmos [de 1980] de Carl Sagan, com quem Druyan colaborou. Segundo Fiolhais, o casal "na altura já vivia uma história de amor, tendo casado pouco depois. É a pessoa mais próxima de Carl Sagan e que guarda a sua memória, não só enquanto cientista mas também como um dos melhores comunicadores de ciência de todos os tempos. Druyan, não sendo cientista, é também uma grande comunicadora e esteve associada enquanto produtora ao filme Contacto, para o qual Sagan escreveu o texto que deu origem ao argumento. E sabe interpretar como ninguém a mensagem que Sagan nos legou."

Quanto ao debate, gravado por antecipação para poder ser legendado, Carlos Fiolhais revela algumas das questões abordadas: "Falámos de muitas coisas. Por exemplo, das dificuldades que a ciência hoje tem para falar ao público. Se Carl Sagan foi o primeiro a usar a televisão em grande escala para chegar a milhões de espetadores, ou seja trazer milhões de estrelas a milhões de pessoas, com o aparecimento da internet e das redes sociais tornou-se mais difícil escrutinar a verdade na ciência porque há uma cacofonia de opiniões que torna difícil separar o trigo do joio, o que pode levar ao descrédito da ciência."

Outra dos temas do debate entre Druyan e Fiolhais foi o da religião: "Não sendo Carl Sagan uma pessoa religiosa, era agnóstica, ao ver-se confrontado com os dilemas do seu tempo, o da catástrofe ambiental devido ao mau uso do armamento nuclear - estamos no tempo da Guerra Fria -, ele não hesitou em juntar a sua voz à dos líderes religiosos por achar que a religião era uma parte importante no mundo. Sagan até considera que a ciência tem algo de espiritual e que o nosso espírito é alimentado pela interação com o cosmos. O que significa que quando contemplamos as estrelas, estamos a sentir-nos mais conscientes das nossas limitações. No entanto, dizia Sagan, somos a única parte do cosmos que o consegue compreender."

A conversa com Ann Druyan e, segundo Fiolhais, ultrapassou o tema que dá título ao programa: "Além de falarmos dos mundos possíveis, ela mostrou-se muito preocupada em particular com as dificuldades que o mundo está a viver neste momento, designadamente a situação nos EUA e as escolhas que se avizinham [nas eleições presidenciais]. Druyan não duvida ser necessário escolher bem nas próximos eleições e deixou uma mensagem muito dramática: «A América, e de algum modo o mundo, estão confrontados perante escolhas (presidenciais) e que esta decisão tem muito a ver com o que Carl Sagan alertava: a questão entre saber e não saber, ou seja entre o conhecimento e a ignorância. Essa é a grande escolha que está em causa porque se o poder estiver casado com a ignorância estamos perdidos."

Carlos Fiolhais recordou as palavras de Carl Sagan sobre o facto de "quando o poder está nas mãos de ignorantes é uma mistura explosiva". Acrescenta: "Sagan previu no século passado que esta mistura nos ia explodir na cara e é, provavelmente, o que está a acontecer quando vemos que o que se passa na pátria de Carl Sagan e Ann Druyan. Ela estava muito preocupada com essa questão."

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