Há um teste que deteta a covid-19 em menos de 10 minutos e só custa 12 euros

Custa 12 euros e foi testado na região de Veneto, em Itália, em mil pessoas. Deteta apenas positivos com alta carga viral, mas os médicos consideram que este teste pode significar uma nova abordagem no diagnóstico da covid-19 numa segunda onda.

É um teste produzido na Coreia do Sul, custa 12 euros e deteta a covid-19 em menos de 10 minutos. Foi testado na região italiana de Veneto e pode representar uma nova abordagem ao diagnóstico da doença provocada pelo novo coronavírus numa segunda onda de novos casos de infeção, consideram os médicos. O diagnóstico com este teste não se torna definitivo, sendo necessária análise laboratorial para comprovar os resultados. Outras regiões italianas estão a efetuar estudos sobre este teste. Lombardia vai começar a testar em breve.

Em Veneto, foram mil as pessoas que realizaram o teste que deteta apenas positivos com alta carga viral, mas, ainda assim, representa um significativo avanço, considera Roberto Rigoli , chefe de microbiologia do Hospital de Treviso e vice-presidente nacional de microbiologistas italianos. "É uma triagem para a qual não fazemos um diagnóstico definitivo. Os casos positivos são confirmados com a biologia molecular. A velocidade da análise permite-nos, no entanto, isolar imediatamente o positivo", afirmou em entrevista ao Corriere Della Sera.

O presidente da região de Veneto, Luca Zaia, fez saber, em conferência de imprensa, que vai disponibilizar os dados do estudo a este teste de diagnóstico produzido na Coreia do sul ao Ministério da Saúde italiano para que possa ser considerada a hipótese de ser incluído no plano de saúde pública.

Como funciona?

O teste recorre ao método clássico, ou seja através da recolha de um exsudado (produto) da nasofarínge com a chamada zaragatoa, um cotonete que é inserido no nariz.

A amostra que é recolhida é diluída num tubo de ensaio que contém um liquido que estabiliza o antígeno - substância que provoca a formação de um anticorpo. São depois depositadas umas gotas num suporte semelhante ao usado para testes de gravidez. Caso o resultado seja positivo para o vírus é gerada uma reação cromatográfica, que origina um faixa vermelha no aparelho, como explicou Rigoli.

"Não é sensível a anticorpos como os testes anteriores, mas ao próprio vírus", explica o especialista. "Pedimos à empresa sul-coreana que nos enviasse alguns dispositivos porque acreditamos que esse teste rápido pode representar uma nova abordagem de diagnóstico necessária a uma segunda onda da doença".

É necessário fazer mais estudos sobre este teste, diz especialista

O resultado do estudo em Veneto mostra que teste é fiável, refere Rigoli. "Das mil amostras analisadas em duplicado (isto é, com o contra-teste da biologia molecular), apenas tivemos um falso positivo e nenhum falso negativo", afirmou.

Diz, no entanto, que se deve proceder a mais estudos, porque, até agora só foram testados 40 positivos". "Para ter dados mais consistentes devemos pelo menos analisar 100 indivíduos positivos em duplicado", explicou.

Embora o resultado seja conhecido em apenas 10 minutos, este teste tem de ser feito por um profissional de saúde. É necessário que a amostra seja recolhida corretamente, justifica o chefe de microbiologia do Hospital de Treviso.

Rigoli considera que este teste coreano pode representar "uma ferramenta útil para médicos de família, que podem saber em tempo real" se um paciente com sintomas de covid-19 pode estar infetado, o que agiliza os procedimentos a seguir.

O teste não deteta a quantidade de carga viral, mas identifica as pessoas que são portadoras do novo coronavírus em quantidades significativas. Segundo o especialista, este teste faz uma espécie de "seleção" entre aqueles que foram diagnosticados como falsos positivos. "Ou seja, pessoas com carga viral tão baixa que não podem ser consideradas contagiosas".

Um teste rápido que está a ser usados em doentes que chegam às urgências, para que seja evitado o tempo de espera que acontece quando se está dependente dos resultados laboratoriais. "Pense num doente considerado em estado grave ou numa mulher prestes a dar à luz: poder intervir imediatamente faz a diferença", destacou o especialista.

Em Itália, estão a considerar a hipótese de alargar a realização deste teste a lares de idosos e a escolas, no âmbito da saúde pública regional.

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