Há menos 28 biliões de toneladas de gelo na Terra do que há duas décadas e meia

O degelo afeta todo o planeta: a cobertura gelada dos oceanos, os polos, a Gronelândia e os glaciares. Estudo fez a primeira contabilização global.

É um número astronómico: 28 biliões de toneladas. Este é o valor global do gelo que se perdeu na Terra em menos de três décadas, de acordo com um estudo de cientistas britânicos das universidades de Leeds, Edimburgo e do University College de Londres.

Publicada na revista científica The Cryosphere, a 14 de agosto, a investigação mostra que a maioria desse degelo (7,6 biliões de toneladas) ocorreu na cobertura gelada do Oceano Ártico, e nas plataformas geladas da Antártida (6,5 biliões de toneladas), seguidas dos glaciares (6,2 biliões de toneladas), Gronelândia (3,8 biliões), na cobertura da Antártida (2,5 biliões) e no Oceano Austral, com 0,9 biliões de toneladas de gelo perdido.

"É o equivalente a uma camada de gelo com cem metros de espessura que cobrisse todo o território do Reino Unido, uma loucura", comparou um dos autores do estudo, Tom Slater, da Universidade de Leeds, citado no The Guardian.

A maior parte destas perdas, no valor de 60%, ocorreram no hemisfério norte, enquanto o restante (40%) se perdeu no hemisfério sul, escrevem os autores, que não têm dúvidas de que o fenómeno se deve ao aumento da temperatura do planeta, que por sua vez é devido à acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera, em consequência das atividades humanas. Ou seja, as alterações climáticas.

Para chegar a estes resultados, que garantem ser a primeira avaliação global do degelo no planeta, nas últimas décadas, os investigadores usaram dados de observação por satélites recolhidos entre 1994 e 2017 e trabalharam-nos com modelos numéricos. As notícias não são boas.

Além de contribuir para o aumento do nível dos oceanos, este degelo reforça também o aumento da temperatura do planeta, já que a perda das superfícies geladas diminui a capacidade do sistema terrestre de refletir a radiação solar.

Em vez disso, o que acontece é que o oceano absorve esse calor não refletido, o que contribui, por sua vez, para a sua expansão, no que é mais um contributo para o aumento do nível do mar.

É isso que tem estado a acontecer. Como mostram todos os estudos, até agora, o nível do mar está a subir desde que se iniciou a era industrial, há mais de 150 anos. Ele está hoje mais de 20 centímetros acima do que era em 1880.

Mas não é tudo: a taxa a que isso está a acontecer tornou-se também mais rápida desde a década de 90 do século XX, passando de um aumento de dois para três milímetros ao ano.

Dados da NASA de 2015 mostram que, só desde 1993, houve uma subida global do nível do mar de 7,62 cm, com algumas regiões de Atlântico, Índico, Pacífico e mar Austral a registarem valores ainda maiores, da ordem dos 22,8 cm, enquanto apenas algumas zonas, poucas, nos Estados Unidos, registaram uma tendência contrária.

Os cálculos dos autores do estudo agora publicado apontam para que a tendência do degelo em curso poderá levar a um aumento do nível do mar de cerca de um metro no final do século, uma estimativa que vai ao encontro de valores idênticos encontrados por outros estudos.

O impacto da subida do mar nas sociedades humanas é imenso e já é visível em algumas regiões, como algumas ilhas e zonas costeiras do Pacífico.

"Por cada centímetro de subida do nível do mar, cerca de um milhão de pessoas que vivem em regiões costeiras ao nível do mar ficam desalojadas", conclui, citado no The Guardian, Andy Shepherd, que dirige o Centro de Observação e Modelação Polar da Universidade de Leeds e um dos autores do estudo,

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