Facebook Dating chega a Portugal. Explicamos-lhe como usar "esta ferramenta do amor"

Novo serviço do Facebook chama-se Dating ou Encontros, na versão portuguesa, é integrada dentro da app e promete "encontrar ligações amorosas significativas" mesmo em tempos de pandemia. O primeiro encontro até pode ser por videoconferência. Facebook explica-nos como é feito o uso dos dados do novo serviço.

Na Europa e no mundo chama-se Facebook Dating, em Portugal fica-se por "Encontros do Facebook", chega agora aos utilizadores nacionais e é uma ferramenta integrada dentro do próprio Facebook para ajudar qualquer um, dos 18 aos 101, a encontrar o amor. A funcionalidade nasceu há dois anos, dando resposta ao crescimento de apps como o Tinder, mas só chegou em 2019 aos EUA (está em 30 países) e expande-se agora, esta quinta-feira, pela Europa, Portugal incluído. A ferramenta é totalmente gratuita, embora os dados que os utilizadores vão deixando tenham um valor para a máquina publicitária do Facebook (o serviço de Dating não tem, no entanto, qualquer publicidade).

"Queremos ajudar as pessoas a encontrarem relações com significado, sejam amorosas ou até amizades duradouras", explica Kate Orseth, Product Manager do Facebook Dating, numa mesa redonda virtual em que o Dinheiro Vivo esteve presente. Nesse contexto, esta é vista como: "uma ferramenta que usa os dados de eventos e grupos que já temos dos utilizadores do Facebook, mas que é depois alimentada com as preferências que cada um tem a pensar no amor, com o algoritmo a sugerir depois as melhores ligações possíveis".

Desde que foi criado, em 2018, o Facebook Dating "já identificou mais de 1,5 mil milhões de matches ou ligações bem sucedidas entre duas pessoas", embora não divulgue dados dos números de utilizadores desta ferramenta integrada na app do Facebook, nem outras estatísticas. Sobre o uso de dados lá recolhidos (que exploramos mais à frente), podem ajudar a personalizar publicidade dentro do Facebook (informação como sexualidade ou religião são categorias protegidas que não alimentam a publicidade, foi-nos indicado), mesmo que não haja anúncios na ferramenta em concreto.

E como funciona?

Não é muito diferente da experiência típica de Facebook, até porque são usados dados que a rede social já tem dos utilizadores a partir dos grupos e eventos que a que se pertencem. A experiência de utilização, pelo que foi descrito, é a seguinte:

- Para aderir - é mesmo necessário fazê-lo, não fica ativo automaticamente - tudo é feito numa nova área que passa a existir dentro da app ou do site do Facebook (vai ficando disponível pelo país a partir desta quinta-feira). É necessário ter conta no Facebook.

- Em vez de perfis, cada pessoa tem um espaço para se dar a conhecer e que é construído depois de logo no início da experiência selecionar preferências pessoais onde se define que tipo de pessoas se procura e se queremos que amigos ou amigos de amigos sejam sugeridos como possíveis ligações.

- É possível criar filtros, como distância do local onde vivemos, idade de preferência, preferências de educação, etc. "Não alertamos os amigos do utilizador que se juntou ao Dating", explica Kate Orseth.

- Depois disso, é possível explorar as sugestões de perfis compatíveis. O utilizador pode responder a pessoas que manifestaram interesse nele ou manifestar interesse noutras pessoas.

- Se o utilizador o desejar, os grupos a que se pertence no Facebook e eventos em que se manifesta interesse serão parte importante para as sugestões de possíveis ligações amorosas. "Assim é possível ter acesso a pessoas com os mesmos interesses e gostos que temos", explica Kate Orseth, acrescentando: "quando mais ativo somos numa comunidade (grupo) do Facebook, mais sugestões de pessoas desse grupo teremos".

- A área Secret Crush ou Paixões Secretas permite adicionar pessoas de quem gostamos (pode ir até 9 amigos do Facebook ou seguidores no Instagram - sim, está ligado também ao Instagram). O lado secretivo faz com que a pessoa de quem se gosta receba uma indicação anónima - e se a pessoa tiver conta no Dating e nos adicionar também como Secret Crush, a identidade de ambos é revelada.

- Ao contrário do Tinder, não há o chamado swiping para aprovar ou desaprovar pessoas sugeridas. "O que se pode é fazer "gosto" numa pessoa e passar para a seguinte".

- Stories. É possível juntar as Stories dos perfis de Facebook ou Instagram ao Dating. "Elas, neste caso, servem para mostrar o que nos interessa e o que fazemos o dia a dia e ajuda-nos a ser mais autênticos do que o típico perfil de site de namoros", diz a responsável.

- Virtual dates ou Encontros Virtuais. Em tempos de pandemia esta funcionalidade, lançada já em 2020, faz toda a diferença, já que permite videoconferências direta com alguém no serviço de Dating. "Enviamos um convite para falar e se a pessoa aceitar começam a interagir".

- Mensagens. Os utilizadores podem responder a fotos do perfil de outras pessoas e iniciar conversas, mas só são possíveis mensagens de texto. "Não é possível partilhar fotos, nem pagamentos na área de mensagens". A medida serve também para limitar envio de fotos abusivas não solicitadas ou que o serviço se torne num local de alguma forma de prostituição.

Como é o modelo de negócio do Dating

Os Encontros do Facebook funcionam sem anúncios, como já indicámos. Questionámos Kate Orseth, a Product Manager do serviço, sobre que mensagem deixaria aos utilizadores que vendo documentários como O Dilema Social (da Netflix), entre outros, podem ficar com receio de dar ainda mais dados pessoais ao Facebook nesta plataforma e como os possíveis ganhos de encontrar o amor podiam valer a pena. A responsável preferiu explicar apenas que: "o serviço foi criado porque percebemos que muitas pessoas usavam o Facebook para encontrar relações amorosas e podiam ter uma experiência dedicada melhor para isso".

Entretanto, o Facebook respondeu-nos concretamente sobre a utilização dos dados dos utilizadores no novo serviço. "Recolher dados das pessoas não é o objetivo deste serviço. O Dating é completamente opcional e se as pessoas não querem usar a ferramenta, não o devem fazer. As pessoas usam o Facebook e outras redes sociais para encontrar novas pessoas, desenvolver relações e até podem começar a encontrar-se e namorar com pessoas que encontram por ali. Queremos fazer a experiência dos encontros amorosos melhor, seguro e mais conveniente em quem está interessado em encontros online".

Já sobre as proteções de privacidade, o Dating além de cumprar o RGPD, indica o Facebook, "usa as mesmas proteções que vemos no Facebook". Fica, assim, disponível, é indicado, uma opção nas definições do Facebook, para as pessoas acederem à sua própria informação na ferramenta de Dating que é partilhada com a empresa.

No entanto, esses dados no novo serviço "podem ser usados para personalizar a experiência no resto do Facebook, incluindo nos anúncios que são vistos" - com as tais excepções de preferência sexual ou religião (consideradas categorias protegidas para efeitos de anúncios.

João Tomé é jornalista do Dinheiro Vivo.

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