Deco avisa: escolhe pelos comentários de Amazon, Booking ou TripAdvisor? Podem ser falsos

Uma investigação europeia, que inclui a Deco, conclui que algumas opiniões/comentários publicadas nos sites Amazon, Booking e TripAdvisor são falsas.

O site Amazon tem o maior número de comentários suspeitos (8,4 %) num estudo que envolve a Deco e outras três associações de consumidores europeias. Em segundo lugar surge o TripAdvisor (6,2 % das afirmações são duvidosas) e, em terceiro, o Booking (2,1 %).

Entre junho e agosto deste ano, analisaram 6,3 milhões de opiniões, relativas a 46,5 mil produtos e hotéis, e concluíram que "uma parte das opiniões contidas nos sites das três plataformas poderão ser falsas".

Significam os resultados que 60,5 mil comentários no Booking levantam suspeitas quanto à sua veracidade, o mesmo acontece com 14,6 mil opiniões publicadas na Amazon e 10,7 mil no TripAdvisor.

As associações explicam que aqueles prestadores de serviços online desenvolveram "algumas ferramentas e estratégias para minimizar as opiniões suspeitas", no entanto, não só não resolveram o problema como não parecem preocupadas com esse facto, acusam as associações de consumidores.

"Os resultados do nosso estudo não seriam muito graves se as plataformas que analisámos estivessem preocupadas com as avaliações falsas que são publicadas. Mas, pelo contrário, o fraco controlo e a permissividade dos critérios para a publicação de opiniões espelham a forma negligente e tímida como tentam controlar este fenómeno, e que está muito longe dos padrões exigíveis para a defesa dos interesses dos consumidores", criticam.

Os representantes dos consumidores entendem que deve existir o registo validado dos utilizadores que fazem comentários; a obrigatoriedade de realizar uma compra para publicar uma opinião; o controlo prévio da fidedignidade do utilizador e do comentário; a criação de mecanismos que detetem, quer aumentos repentinos de comentários, quer a verificação dos utilizadores, para reduzir a possibilidade da intervenção de robôs.

São as práticas que querem ver aplicadas por Amazon, o Booking e o TripAdvisor, a quem vão apresentar o resultado do estudo.

O que foi analisado?

Os técnicos analisaram os comentários e quem os fez, em 11 parâmetros, com níveis de importância e pesos diferentes. Verificaram, nomeadamente, a existência de frases repetidas em diferentes avaliações, a concentração de opiniões em períodos curtos, os comentários eliminados, as compras não verificadas e a quantidade de opiniões do mesmo utilizador.

Tiveram, também, em conta o perfil dos avaliadores: se emitiu apenas uma opinião ou se fez vários comentários sobre produtos diferentes, por exemplo. Verificaram se os avaliadores davam sempre opiniões muito positivas e se existiam comentários eliminados pela plataforma ou relativos a compras não verificadas.

A análise foi feita em dois períodos para verificar a existência de comentários apagados e/ou utilizadores excluídos de julho para agosto.

"Quando um produto falhava em vários aspetos, alterando significativamente a pontuação final, considerámos que tinha sido afetado por opiniões suspeitas de serem falsas", escrevem os técnicos.

O que é suspeito?

Perceber quais são os comentários falsos não é fácil, no entanto, as associações deixam alguns sinais de alerta:

- Verificar quem é o responsável pela transação, se for um vendedor externo à plataforma este pode ser tentado a promover ilicitamente os produtos.

- Um produto ter muitas avaliações excelentes (cinco estrelas) e, em simultâneo, muitas negativas (uma estrela).

- As opiniões mais antigas terem todas pontuações muito elevadas por comparação às mais recentes e coincidem em determinadas datas.

- Dar preferência aos comentários verificados, feitos por quem realmente comprou o produto.

- Consulte outros comentários do mesmo autor. Adquiriu mais do que um produto de marcas diferentes e classificou-os a todos com cinco estrelas; comprou vários produtos do mesmo tipo; nunca deu uma opinião sobre um artigo de uma marca reconhecida?

- A opinião inclui muitas fotos ou até um vídeo. "Não é habitual que alguém satisfeito com um produto ou um serviço dedique tanto esforço a promovê-lo", advertem.

Mais Notícias