Aumenta 15% número de estudantes colocados no ensino superior público. Mais de metade na primeira opção

Foram 50 964 os estudantes colocados na primeira fase do concurso, que teve mais 11 525 candidatos que em 2019, e cujo "índice de excelência" aumentou 29%, com cursos de engenharia no topo das notas. Mas há de duas dezenas de cursos sem candidatos e em alguns o último a entrar teve média de 9,5.

19,1 valores foi, de acordo com os resultados este domingo divulgados (e que pode consultar aqui ou descarregar em formato excel) da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público para o ano letivo 2020/21, a nota de entrada do último colocado em dois cursos da faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - bioengenharia e engenharia e gestão industrial - que nesta fase esgotaram já as vagas, respetivamente 77 e 93. A mesma classificação exibe o centésimo vigésimo estudante a entrar em engenharia aeroespacial e o nonagésimo segundo a completar o contingente de engenharia física e tecnológica, no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

Os integrantes destes cursos, que nos últimos anos ultrapassaram os de ciências médicas no top das classificações de acesso, e que se encontram decerto entre aqueles que o ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior considera estarem "em ciclos de estudo com maior concentração de melhores alunos", contribuem para o aumento de 29%, face a 2019, do denominado "índice de excelência dos candidatos", que teve um crescimento de 1540 para 1984 colocados.

E farão decerto parte dos 51% de candidatos que entraram na sua primeira opção no ensino superior nesta fase do concurso nacional (na segunda opção entraram 21% dos colocados e 13% na terceira). É porém possível que o mesmo tenha sucedido àqueles que conseguiram ser admitidos com média negativa, como é o caso dos últimos estudantes a entrar, com 9,5, em Tecnologias e Design de Multimédia no Instituto Politécnico de Viseu e Restauração e Catering, no Politécnico da Guarda, já que são muito mais as vagas que os candidatos. O mesmo se pode concluir de quem entrou em Educação Básica, no mesmo instituto, com média de 9,8: eram 32 vagas, ficaram 29 por preencher.

Há aliás, apesar de este ano ter aumentado em 15% em relação ao anterior o número de colocados nesta fase - ao todo, foram 50 964, mais 3391 no ensino universitário e mais 3073 no politécnico, restando "pelo menos" 6050 vagas para a segunda fase, que decorre de 28 de setembro a 9 de outubro -, vários cursos com apenas um aluno, e mais de 20 sem nenhum candidato.

É assim com engenharia de computadores na Faculdade de Ciências Exatas e da Engenharia da Universidade da Madeira, e Relações Lusófonas e Língua Portuguesa na Escola Superior de Educação de Bragança - que faz parte do Politécnico da mesma cidade e no qual há mais nove cursos aos quais ninguém concorreu. A maioria destes casos ocorre precisamente em institutos politécnicos do interior, mesmo se a informação que este sábado o ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior enviou para as redações, com embargo até à madrugada de domingo, certifica que houve um aumento de 20%, face a 2019, nas colocações em "instituições localizadas em regiões com menor pressão demográfica": são agora 12314, ou seja, cerca de 24,2% do total. E o número de alunos colocados em todos os politécnicos aumentou 18%.

Ainda assim, a percentagem de candidatos à primeira fase do concurso já colocados desceu cinco pontos percentuais face a 2019; foram na altura 87,2%, enquanto agora são, de acordo com o ministério, 82%. Isto porque este ano candidataram-se 62561 estudantes, mais 23% que na primeira fase em 2019 - quando foram 51036. Trata-se de um aumento que o governo reputa de "excecional" e que explica também que o número de vagas nesta fase tenha "encolhido" 10% em relação a 2019.

O que cresceu pouco foi o contingente de estudantes entrados em medicina (ou "ciclos básicos de medicina"): apenas mais 37, num total de 1548. Em contrapartida, são mais 39% - 312 - os colocados através do contingente especial para estudantes com deficiência, tendo "mais que duplicado desde 2015", facto que o ministério atribui a "as alterações legislativas introduzidas neste domínio." Já no concurso para maiores de 23, verificou-se um pequeno aumento de 6%: entram 2800 na universidade e politécnicos.

Mas, como já em 2019 o ministro Manuel Heitor advertia, no concurso nacional entram apenas cerca de metade dos estudantes que acedem ao ensino superior público. A outra metade é representada por vias de acesso como formações curtas (oferecidas pelos politécnicos, para as quais entram todos os anos mais de sete mil jovens), para adultos e estrangeiros (estes últimos representavam no ano passado já 13% do número total de estudantes neste grau de ensino, número que a tutela pretende ver aumentado para 20% nos próximos cinco anos). Existem ainda, como o ministério enumera, as admissões na Universidade Aberta, nas instituições de ensino superior militar e policial, através de concursos locais, assim como vários regimes de acesso especiais.

Tudo somado, e incluindo o ensino superior privado, mestrados e formações curtas de âmbito superior, estima a Direção-Geral do Ensino Superior que no ano letivo de 2020/21 se inscrevam 95 mil novos estudantes. Números que o ministério considera reforçarem "a evolução relevante em todos os indicadores de acesso ao ensino superior, em linha com as medidas de políticas públicas adotadas nos últimos anos para promover um maior e mais inclusivo acesso ao ensino superior, com maior coesão territorial e a capacitação generalizada da sociedade portuguesa."

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