Rosália Amorim

Rosália Amorim

Um ano de um novo (a)normal

Portugal assinala hoje um ano de pandemia. Quando surgiu o primeiro caso de covid-19 no país caíram por terra as convicções de que "o vírus chinês" não chegaria a terras lusitanas. Essas conceções ruíram, e com elas a economia, a sociedade - onde se inclui a saúde e a educação - e a política, tal como as conhecíamos até março do ano passado. Encetou-se então uma nova era. As posições políticas extremaram-se, os populismos engordaram e o centrão uniu-se em autodefesa.

Rosália Amorim

Menos romantismo, mais realismo

Lisboa foi palco, nos últimos dias, de duas grandes conferências. Uma sobre as alterações climáticas e os novos modelos económicos, organizada no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, e, antes, uma outra sobre o futuro dos oceanos, organizada pelo Clube de Lisboa. Em ambas participei como moderadora convidada - acreditando que também assim se faz serviço público e é possível dar um contributo para o debate de matérias tão importantes para o futuro da humanidade - e, nas conclusões, sobressaiu uma mensagem comum e clara: é preciso menos romantismo e mais realismo. Os desafios do clima devem inquietar-nos a todos e todos os dias. Em cada ato podemos estar a ajudar ou a prejudicar o ambiente. Em decisões tão simples quando reciclar o lixo, usar fontes de energia renovável ou, simplesmente, comprar uma peça de roupa em fibra natural e reutilizável. O realismo é igualmente determinante na definição e na aplicação das políticas públicas e na relação do país e da Europa com outros mercados comerciais, que fazem orelhas moucas aos gritos do planeta.

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Duas luzes ao fundo do túnel

Há boas notícias na redução do número infetados com covid-19 e de mortos. Para já, 1502 casos e 111 óbitos. Há outros dados que importa destacar: uma queda nos internamentos, com menos 32 pessoas em unidades de cuidados intensivos e menos 350 internados em enfermaria. São factos apurados no dia de Carnaval. Veremos como corre o resto da semana. O visível achatamento da curva traz algum ânimo ao Serviço Nacional de Saúde, mas também à economia em geral e ao ensino.

Rosália Amorim

Se as crianças aguentam? Aguentam

Vem aí um Carnaval sem festividades, sem bailes, sem máscaras. Pelo menos, fora de casa. Mas a melhor celebração desta época é, sem dúvida, olhar para o número de mortos e contágios por covid-19 em Portugal e vê-los a descer vertiginosamente. São boas notícias, ainda que estejamos longe de cantar vitória. A ordem é para continuar em casa, mantendo todas as regras apertadas de confinamento. Foi o que ouvimos nesta semana, quer no discurso do Presidente da República quer no do primeiro-ministro. O confinamento está a surtir resultados, mas a "situação ainda é extremamente grave", alertou António Costa. E recusou avançar qualquer plano, mesmo que faseado, sobre o tempo e o modo de um eventual regresso às escolas. Apesar do pedido nesse sentido da parte de Marcelo Rebelo de Sousa, as famílias nada podem planear quanto a isso. Primeiro é urgente salvar vidas e aliviar o Serviço Nacional de Saúde.

Rosália Amorim

Turismo e viagens. Vacina para a confiança

Em Portugal registaram-se 214 óbitos, o número mais baixo dos últimos 18 dias. O número de infetados baixou na última semana (nas últimas 24 horas foram 6132 os casos novos), mas há mais internados em estado grave. A região de Lisboa e vale do Tejo - onde está instalada a redação do Diário de Notícias - continua a mais penalizada pela covid-19, com 5590 novos casos de infeção e mais 99 mortos. A região norte é a segunda mais atingida, mas com menos óbitos: 4778 novos casos e mais 44 mortos. No centro do país, contabilizaram-se nas últimas 24 horas 2481 novos casos e 48 mortos.

Rosália Amorim

Transparência, sim. Chico-espertismo, não

O chico-espertismo a que, atónitos, temos assistido quanto ao uso indevido e abusivo da vacina contra a covid-19 merece uma séria reflexão e envergonha-nos. E se houvesse humanidade entre todos? Esta pergunta, em jeito de brincadeira, foi lançada nas redes sociais. E a brincar dizem-se coisas sérias. Não é só a imunidade que falta entre os portugueses. A muitos falta um maior humanismo, um sentido de dever cívico e uma crença sincera de que se pode ser maior a servir o outro. A tudo isto poderíamos chamar ética.

Rosália Amorim

Menos crispação, mais ação

O ambiente político volta a estar crispado e o Presidente reeleito poderá ter de voltar a colocar na agenda a "descrispação", um desígnio que marcou o arranque do seu primeiro mandato, em Belém. A tensão é política, social, mas é também cada vez mais visível ao nível económico. Nesta semana lemos e ouvimos com preocupação as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), pela voz do ex-ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, e também do economista norte-americano Nouriel Roubini, que ficou conhecido por antecipar a grande crise financeira de 2008.

Rosália Amorim

Manifestação cívica

A eleição para um segundo mandato presidencial gera tradicionalmente elevado nível de abstenção, mas a taxa de abstenção foi abaixo dos 70% que se temia uns dias antes da data das eleições. No contexto de pandemia e de confinamento, em especial do aumento do número de mortes e de infetados nas últimas semanas, a maior participação dos cidadãos pode ser interpretada como um ato de coragem ao votar no pico da pandemia e uma manifestação de crença na democracia, sobretudo quando vários candidatos alertaram, na ponta final da campanha, para os riscos da abstenção elevada e do fantasma do populismo.

Rosália Amorim

Res non verba, em pandemia

A pandemia provoca-nos hoje um sobressalto maior, seja pelas filas de ambulâncias à porta dos hospitais seja pelo receio de contágio nas filas para o voto antecipado. Os especialistas alertam que os próximos dias poderão ser ainda piores e que vão ser necessárias, pelo menos, sete semanas para regressarmos aos números registados antes do Natal. Por isso, apesar da preocupação com as urgências de curto prazo, não devemos deixar de olhar para o médio prazo ou para a floresta como um todo e não apenas para a árvore. Perante um cenário de profunda recessão económica com efeitos sociais devastadores (e ainda não é possível contabilizar todos os efeitos no setor financeiro e nas contas públicas...), só três palavras importam a quem passa hoje por muitas dificuldades: saúde, comida e solidariedade.

Rosália Amorim

Resistência e saúde mental

As imagens chocantes das filas de espera de ambulâncias com doentes com covid-19 nos principais hospitais públicos, em várias zonas do país, despertam sentimentos de revolta, impotência, culpabilização ou - pior, para algumas pessoas - até de banalização, dada a repetição destes acontecimentos, ao fim de quase um ano, mas agora de forma especialmente cruel com as urgências e os cuidados intensivos dos hospitais portugueses no limite da capacidade.

Rosália Amorim

O Estado, a emergência e a Europa

Com Portugal aos comandos, arrancou a presidência rotativa da União Europeia. O clima, o digital e o social são três pilares importantes que marcarão as políticas públicas no próximo semestre. Assim dito, até parecem termos vagos ou apenas conceitos, mas traduzidos para a economia real são da maior importância. As alterações climáticas estão à vista e já influenciam as nossas vidas e os nossos trabalhos; o digital promete mudar os empregos, as empresas e a forma como nos relacionamos com o Estado, sobretudo se a máquina da administração pública conseguir concretizar a modernização há muito prometida; e em termos sociais é preciso não deixar ninguém para trás e passar das palavras aos atos, nos 27 países. Em toda a Europa a pandemia está a gerar uma gigantesca onda de novos pobres e "um exército de desempregados", citando António Costa Silva, consultor do governo e autor do documento que reúne a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica.

Rosália Amorim

Ruído e atropelos ou debater o país?

Passaram as festas natalícias, entrámos em 2021 e, de repente, parece que um novo estado de emergência pouco interessa. Os portugueses, em especial os que têm levado a sério as medidas anticovid, estão preocupados e querem saber se haverá um disparo do número de infetados e se estaremos perante uma terceira vaga da pandemia, após o alívio das medidas no Natal e alguma restrição no Ano Novo. Com o regresso ao trabalho e às escolas, as famílias precisam de saber com que nível de alarme devem contar. Para o efeito, os partidos políticos foram ouvidos ontem pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa acerca de um novo período de estado de emergência. À saída de Belém, as declarações dos partidos foram, no entanto, sobre a prestação de ministros deste governo. Desta vez, a polémica envolve a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, por causa da sua explicação, "lapsos" e carta a propósito da nomeação do procurador José Guerra para um cargo europeu. Antes foi Eduardo Cabrita, com o caso da morte de Ihor às mãos do SEF - e sobre o qual o DN volta hoje a dar notícia, fruto da contínua investigação jornalística -, e ainda Pedro Nuno Santos, com a polémica em redor do aumento de salários aos administradores da TAP, em plena reestruturação e despedimento coletivo.