Rosália Amorim

Rosália Amorim

Duas grandes figuras portuguesas

De pequeno, Portugal só terá a dimensão geográfica, além de algumas mentalidades pequeninas e limitadas, mas não são essas que aqui me trazem hoje. Duas grandes figuras portuguesas, cada uma no seu estilo e no seu campo político, têm demonstrado do que são feitos os melhores de nós. António Guterres está a desempenhar a missão da sua vida, ao liderar as Nações Unidas até ao dia 31 de dezembro deste ano. Durão Barroso destacou-se como presidente da Comissão Europeia e agora volta a assumir um papel importante para todos: o de presidente do conselho de administração da Gavi, The Vaccine Alliance.

Rosália Amorim

Há vida para além da covid-19

O impacto da pandemia nas nossas vidas e na nossa economia está muito longe de estar devidamente calculado. Contudo, por vezes a realidade tem a capacidade de nos surpreender pela positiva. Apesar das duras consequências provocadas pela covid-19 nas trocas comerciais, Portugal conseguiu segurar o excedente externo que tem mantido desde 2012, em plena era de intervenção da troika. Os dados inesperados foram apurados na balança de pagamentos, divulgados ontem pelo Banco de Portugal. Em 2020, o saldo conjunto da balança corrente e de capital ficou em 256 milhões de euros, o que compara com o excedente de 2591 milhões de euros registado em 2019, diz o banco central. Não é de estranhar que o superávite conseguido - apesar de ser uma boa notícia - seja o mais baixo desde 2012, quando Portugal passou a ter um excedente na balança corrente e de capital. O atual excedente não é devido nem ao crescimento das exportações, no geral, nem ao desenvolvimento do turismo, em particular. A explicar este indicador estão os fundos europeus e a participação de Portugal no orçamento comunitário. Para perceber este novo "milagre" português vale a pena ler este artigo.

Rosália Amorim

Recessão em 2021?

A queda é histórica. A riqueza produzida em Portugal, em 2020, encolheu 7,6% devido à pandemia, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). É uma contração inédita desde que vivemos em democracia: "A mais intensa da atual série das Contas Nacionais", ou seja, a pior desde 1977. Há duas formas de olhar para este número que se traduz, na realidade, em destruição de negócios e empregos. A conhecida imagem do copo meio cheio ou meio vazio poderá aplicar-se. Por um lado, o trambolhão da economia é histórico e pode ser pior no início de 2021. Por outro, a economia reanimou em final de 2020 e há esperança de recuperação, em especial na segunda metade do presente ano, se os fundos europeus forem eficazmente aplicados e se o país souber resolver problemas estruturais que são bloqueios ao crescimento.

Rosália Amorim

Desígnios de um país "doente"

As altas figuras do Estado vão ser vacinadas a partir da próxima semana. Defender o contrário para ser popular, irreverente ou jogar no campo das demagogias ou ideologias não é sério. Quem lidera, dirige, administra um país em pandemia tem de estar sempre na linha da frente. Não se trata da mesma linha da frente em que estão médicos, enfermeiros e auxiliares - que, obviamente, devem todos ter via verde para a vacinação, no público e no privado, bem como bombeiros e forças de segurança envolvidas no combate à covid-19. Mas, cada um, na sua missão, precisa de continuar a lutar. Sem parar. O Diário de Notícias revelou ontem, em primeira mão, o despacho assinado pelo primeiro-ministro, bem como as cartas enviadas aos órgãos de soberania no sentido de começarem a ser definidas as prioridades de vacinação, consoante as disponibilidades.

Rosália Amorim

Sobressalto urgente em Portugal e nos EUA

Os portugueses não levaram a sério o novo confinamento e o governo não levou a sério os riscos do levantamento das restrições no Natal. Os hospitais públicos já passaram para lá da linha vermelha. No dia 7 de janeiro, o DN escreveu na primeira página "SNS perto da linha vermelha". Passou uma dúzia de dias e só agora voltam a apertar as limitações à circulação, como anunciou ontem o primeiro-ministro, falando em "sobressalto cívico".

Rosália Amorim

Trapézio com rede?

O anúncio das medidas públicas de apoio para enfrentar o novo confinamento, que decorreu ao final da tarde de ontem, começou pela cultura, um dos setores que serão mais fustigados a partir de hoje. Este é o primeiro dia em que o país volta a fechar, tal como sucedeu em março e abril. O cinema, os produtores, promotores, agentes e profissionais individuais, os teatros, as associações e outros agentes culturais não foram esquecidos neste estado de emergência. Desta vez, o governo promete mais e mais rápido. Veremos se assim é. Da última vez que os portugueses - trabalhadores e empresários - passaram por uma situação destas, não só os apoios chegaram às pinguinhas (e foram sendo reforçados a cada semana, a cada mês) como a burocracia conseguiu criar um novelo difícil de desatar e que asfixiou muitas das medidas, às quais vários empresários nunca conseguiram aceder.

Rosália Amorim

Deixar de agradar a gregos e a troianos

As escolas vão manter-se em funcionamento, em todas as valências, e essa é a principal novidade do novo estado de emergência e das novas regras de confinamento. Ao contrário do que aconteceu em março/abril do ano passado, desta vez os mais novos continuam a ir às aulas presencialmente. Uma medida que está a causar forte preocupação junto da comunidade científica. Porque, como afirmou o primeiro-ministro ontem, "não nos podemos anestesiar com os números de contágios e de mortos". A decisão está tomada por um período de 15 dias, ao fim dos quais se poderá rever e renovar o estado de emergência. Nada garante que daqui a 15 dias não seja necessário voltar a puxar (ainda mais) "o travão de mão" e "dar um passo atrás", alertam os especialistas. Tudo dependerá do achatamento da curva. Se se mantiver tudo como está, ou seja com mais infetados e com mais de uma centena de óbitos por dia, ao longo de seis dias consecutivos, as sirenes vão voltar a tocar e ainda mais alto.

Opinião

Duas ou três eleições em 2021?

Os debates para as eleições presidenciais arrancaram na última noite. Marcelo Rebelo de Sousa debateu com Marisa Matias, e outros duelos se seguirão. Independentemente dos candidatos e da expectativa dos cidadãos do que deveria mudar no país, é preciso ter consciência dos poderes presidenciais e saber quais são, de facto, as competências e a função de um presidente num sistema semipresidencialista, que é o nosso, em que o poder executivo está entregue ao governo e a Assembleia da República tem um papel fulcral na definição das políticas públicas. A expectativa é alta, mas a Constituição limita a função, pelo que a magistratura de influência deve ser ampla e sabiamente exercida.