Rosália Amorim

Editorial

Inovar. Há vida para além da política

A inovação é um motor do desenvolvimento dos países. A par com uma política fiscal atrativa, um sistema de justiça eficaz e outros custos de contexto controlados - como a burocracia -, inovar é um dos pilares centrais de suporte ao futuro. Não basta inovar apenas na política e na forma como se teatralizam cenários de chumbo de um Orçamento do Estado ou de eleições antecipadas; a capacidade inovadora tem de ir para além disso. Tem de contagiar a economia, o ensino e a sociedade em geral, pois uma atitute empreendedora e criativa é uma via verde para o progresso e crescimento.

Rosália Amorim

OE 2022. Leão, Asterix e a poção mágica 

O Orçamento do Estado está entregue e apresentado, em modo corrida-estafeta. A famosa pen foi entregue no Parlamento a 23 minutos do prazo estipulado (meia-noite de dia 11) e logo de manhã (pouco depois das 9h) o seu conteúdo estava a ser explicado aos jornalistas na Praça do Comércio. João Leão, qual Asterix, parece ter tomado a poção mágica do otimismo, que combina algum expansionismo com controlo do défice (3,2%) para 2022. Mas, ao olharmos para o caldeirão do Orçamento, será a dose realista ou moderada?

Rosália Amorim

Precipitados jogos de poder

Eis que chegou a liberdade! Já cortámos a meta do dia 1 de outubro e nada mudou. Nas últimas 24 horas mais 696 casos e quatro mortos em Portugal. A pandemia teima em resistir. Ainda assim há 18 meses que não estávamos tão próximos da vida em pré-pandemia. Na quinta-feira e na sexta-feira à noite as esplanadas encheram-se de dia e de noite, as jantaras de amigos entoaram nas velhas ruas de Lisboa e a dança está agora permitida em discotecas. Os portugueses precisam de uma certa normalização, de rir, chorar, partilhar a gestão de uma dor que já leva ano e meio. A boa notícia é que, apesar das ruas cheias, muitos cidadãos continuam a usar máscara dentro e fora dos recintos, com a consciência que a conjuntura exige. Há exceções, mas há também um sentido de maior responsabilidade, até para que não se repita o último Natal. Avançamos seguros pelas ruas, agora que estamos vacinados.

Rosália Amorim

Efeitos inesperados de más decisões políticas

O mundo tem os olhos postos nos preços das matérias-primas. A escalada tem vindo a acentuar-se nos últimos meses e a preocupação aumenta a cada semana que passa. Agora é a vez de o petróleo voltar a subir. O custo do barril cresceu 3% e atingiu, ontem, o valor mais alto de três anos. Mais: é a primeira vez, desde 2018, que o crude ultrapassa a barreira dos 75 dólares por barril. O petróleo do Texas (WTI) atingiu 75,93 dólares por barril (cerca de 63,9 euros), para contratos futuros para entrega em agosto. Há uma espécie de linha psicológica que foi ultrapassada e que está a preocupar os agentes económicos e, claro, os consumidores, que têm de abastecer os depósitos dos seus automóveis regularmente.

Rosália Amorim

Nova narrativa: da "libertação total" à "transição"

A prudência é boa conselheira na gestão da pandemia e, de um dia para o outro, a narrativa oficial alterou-se. O primeiro-ministro deixou de falar em "libertação total" da covid-19 e substituiu o termo por "transição" e por "viragem". Ontem, no Conselho de Ministros, anunciou a terceira fase de desconfinamento - já há muito prevista (desde 29 de julho), apesar de a oposição considerar o calendário "eleitoralista", por coincidir com a véspera das eleições autárquicas. Assim, alguns serviços voltarão a reabrir a partir de 1 de outubro. E temos condições de o fazer? "Temos", dizem os entendidos em saúde, mas a afirmação "temos" é acompanhada pela palavra "cuidado".

Rosália Amorim

A poção de Ursula para puxar pela Europa 

Ursula von der Leyen reforçou o seu papel como uma das grandes líderes da Europa, além de Angela Merkel, claro. No seu discurso sobre o estado da Europa, proferido ontem, traçou metas ambiciosas a atingir no combate à pandemia, no avanço da vacinação e enalteceu ainda a importância da criação de uma entidade europeia que irá trabalhar na prevenção e resposta a crises pandémicas futuras. A presidente da Comissão Europeia acredita que com a existência do certificado digital e o entendimento entre os Estados membros, tudo ficará mais fácil em termos de política de coordenação global da área da saúde para os anos vindouros.

Editorial

Sem afetos, esta é a campanha mais desafiante para os autarcas

A campanha eleitoral para as autárquicas já é oficial. Ditam as regras que o primeiro dia foi ontem. Mas há muito que vemos nas ruas os candidatos a tentar convencer a população com os seus argumentos e propostas. Na capital, as sondagens dão vitória a Fernando Medina, ainda que tenha vindo a esbater-se a distância entre Medina, da coligação Mais Lisboa, que junta o PS e o Livre, e Carlos Moedas, cabeça de lista da coligação Novos Tempos, que junta cinco forças políticas: PSD, CDS, PPM, MPT e Aliança.

Rosália Amorim

Verão com sabor amargo

Nem os campeões estão a salvo da pandemia. O camisola amarela na Volta a Portugal, Daniel Freitas, foi forçado a abandonar a corrida, após novo caso de covid-19 na sua equipa. Antes do início da quinta etapa, já João Benta e Tiago Machado tinham sido afastados da Volta, por estarem infetados com o novo coronavírus. Freitas tinha ganho a amarela na quinta etapa da prova, que liderava com uns bons 42 segundos de vantagem sobre Alejandro Marque. Tem um sabor amargo para o português deixar a prova rainha do ciclismo nacional por causa do coronavírus, mas nem os grandes atletas e vencedores estão protegidos, mesmo ao ar livre.

Rosália Amorim

Deixar-se intimidar ou desistir não é opção

Allyson Felix pagou o preço de cumprir um sonho: ser mãe. A velocista olímpica, com 35 anos, alcançou em Tóquio a décima e a décima primeira medalhas, tornando-se na mais medalhada atleta feminina nos Jogos. Nem tudo foram rosas no caminho do êxito. Em 2018, Allyson viu a Nike querer cortar-lhe 70% do rendimento por ter sido mãe. Mas não se ficou. Além de juntar a sua voz ao coro de críticas à marca desportiva norte-americana, respondeu à antiga insígnia patrocinadora, assinando pela Athleta.

Rosália Amorim

Enfrentar as gigantes, sem medos!

Na Europa, a comissária Margrethe Vestager tem sido o rosto do combate à hegemonia das grandes tecnológicas. Com coragem, determinação e medidas de punição, a comissária da Concorrência tem dado o corpo às balas em defesa dos direitos de autor, liberdade de informação, justiça fiscal e combate a monopólios e duopólios. Já veio, aliás, a Portugal falar disso e mais do que uma vez, numa delas foi oradora no palco da Web Summit, onde explicou, precisamente, porque o paradigma deve mudar.

Rosália Amorim

Aeroportos, incêndios e anestesias

As imagens de caos no aeroporto de Lisboa e as notícias de centenas de voos cancelados, nos últimos dias, devido à greve dos trabalhadores da Groundforce (empresa cujos salários, recorde-se, foram assegurados pela TAP e, indiretamente, pelo Estado) preocupam ainda mais quem trabalha (ou sobrevive) no setor do turismo e motivaram apelos de intervenção musculada do governo por parte dos representantes patronais, perante o aparente silêncio das autoridades.

Rosália Amorim

Um caminho com demasiados cruzamentos

Entramos agora na segunda quinzena do mês de julho, uma das mais procuradas pelos portugueses para um período de férias. O campo tem vindo a ganhar adeptos face à praia, enquanto destino seguro, mas os ajuntamentos serão difíceis de controlar nestas duas semanas bem como no mês que vem. Hoje, desde cedo, cruzamo-nos com veículos cheios, com as famílias a bordo, vários bagagens e muitos sorrisos. Mas é preciso não esquecer que as infeções disparam em Portugal e que o número de casos novos de covid-19 é o maior desde fevereiro. Portugal voltou a ultrapassar a barreira dos 4 mil casos num só dia (dados alarmantes da última quarta-feira). Há menos internamentos, mas mais doentes nos cuidados intensivos. E a taxa de incidência subiu mais de 20 pontos percentuais na última atualização, realizada no início da semana. O vírus não vai de férias. Mas os portugueses têm vindo a esquecer-se disso.