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Margarida Balseiro Lopes

Para começar

Como as sucessivas eleições têm demonstrado há um divórcio claro entre eleitos e eleitores. Uma das principais reivindicações que as pessoas fazem é o reforço da transparência na atividade política. A anterior legislatura foi uma oportunidade perdida para a legalização do lobbying. Depois de anos a debater o tema na comissão eventual para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Públicas, no final o Parlamento acabou por desperdiçar a oportunidade de legislar sobre esta matéria. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a sua regulamentação poderá ser uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político. Erradicando, desde já, quaisquer possíveis preconceitos sobre este tema, importa ressalvar que legalizar o lobbying não é permitir qualquer comportamento que, atualmente, esteja tipificado penalmente como um ilícito criminal. O objetivo é apenas regular a atividade de decisão política, que, obviamente, é influenciada pela sociedade e pelos contactos que os decisores com esta estabelecem, tornando a informação pública e acessível a todos.

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Maria do Rosário Pedreira

Modernices

O paleoantropólogo francês Yves Coppens - membro da equipa que descobriu o esqueleto de Lucy (um Australopithecus afarensis com mais de três milhões de anos) em 1974, mudando para sempre a nossa compreensão da evolução humana - contou, quando passou por Lisboa nos anos 1990, uma história deliciosa. A avó era profundamente católica e, como tal, não queria de maneira nenhuma aceitar que o homem descendesse do macaco (Australopithecus significa, aliás, "macaco do sul"). No entanto, diante do reconhecimento universal de que o neto era alvo, começou a pensar que talvez estivesse a ser demasiado radical. Então, chamou-o ao seu quarto, fechou a porta para ninguém a ouvir e, depois de o felicitar pelo êxito das suas conquistas, atalhou: "Olha, Yves, tu até podes descender do macaco, mas eu não."