Moçambique

Entrevista a Lourenço do Rosário

"Por trás da radicalização em Cabo Delgado há interesses nas riquezas"

Fundador da primeira universidade privada moçambicana e mediador de paz entre o governo da Frelimo e a Renamo, Lourenço do Rosário diz que oferta do presidente Nyusi de proteção aos jovens que abandonarem grupos terroristas é sinal de haver estratégia a ser pensada para resolver violência no norte do país.

Tatuagens

"Amor de mãe" à flor da pele

"Em Nambuangongo tu não viste nada". Um soldado português, como no poema de Manuel Alegre, olha a morte e "fica mudo". No norte de Angola, tão longe de tudo o que conhecera neste mundo, é um dos sobreviventes do seu batalhão mas, em homenagem aos companheiros mortos nessa que foi uma das batalhas mais duras da Guerra Colonial, decide inscrever na pele a dor, o medo, o sentimento de abandono que jamais o deixarão. Tudo o que não conseguiria traduzir por palavras: "Amor de mãe", "Angola" (ou Guiné ou Moçambique) e uma data, ou simplesmente o nome da unidade a que pertencera sobre um dos braços ou mesmo do peito. Marcas tão definitivas como sinais de nascença.

Carlos Almeida

Cabo Delgado – histórias de desencantar

Conheço Mocímboa da Praia desde 2010, altura em que a energia elétrica tinha hora marcada e era providenciada por um gerador municipal. Vila pacata com alguma construção colonial e um monumento impressionante, um mausoléu construído em 1956, de homenagem aos portugueses mortos durante a I Guerra Mundial, nos combates com alemães nos arredores do rio Rovuma, perto do local onde agora está a ser explorada uma das maiores reservas de gás natural do mundo. No dia 5 de outubro de 2018 a vila foi invadida por bandidos armados durante três dias. Durante os anos de 2018 e 2019 continuaram a acontecer ataques esporádicos pelos chamados insurgentes em diversas aldeias, sempre com o mesmo padrão: grupos de homens entravam armados nas aldeias, disparavam tiros para o ar, assassinavam algumas pessoas com requintes de terror, queimavam as casas e saíam. Esperava-se que depois do ciclone Kenneth que atingiu Cabo Delgado no dia 25 de abril de 2019, diminuísse o número de ataques, mas tal não aconteceu. Rapidamente os ataques passaram de aldeias para vilas como Quissanga e Macomia, culminando na situação atual em que os terroristas tomaram pela terceira vez Mocímboa da Praia, controlando o porto de mar.

Violência em Moçambique

“É preciso derrotar os jihadistas e conquistar o povo”

Entrevista a João Bernardo Honwana, consultor na área de Resolução de Conflitos, Mediação Política e Diplomacia Preventiva, em Nova Iorque. Foi funcionário das Nações Unidas entre 2000 e 2016, tendo servido como Representante do Secretário-Geral para a Guiné-Bissau e Diretor de Divisão (África I e África II) no Departamento para Assuntos Políticos. É Coronel Piloto Aviador na reserva e antigo Comandante da Força Aérea de Moçambique. Participou a 1 de julho na Speed Talk do Clube de Lisboa sobre o jihadismo em Cabo Delgado.