Margarita Correia

Margarita Correia

Carta Europeia para as Línguas Regionais e Minoritárias

O Conselho da Europa, fundado em 1949, é a principal organização de defesa dos direitos humanos do continente e tem o inglês e o francês como línguas de trabalho. Conta com 47 países membros; Portugal aderiu em 1976. No Conselho da Europa encontram-se a Convenção Europeia dos Diretos Humanos e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, provavelmente a mais conhecida das suas instituições. Entre as áreas em que exerce atividade, a promoção do multilinguismo e dos direitos linguísticos ocupa lugar privilegiado, até porque um dos objetivos do Conselho da Europa é conseguir uma união mais forte entre os seus membros, visando o reconhecimento e a salvaguarda dos ideais e princípios que fazem parte da sua herança comum.

Margarita Correia

Dos anos letivos, os velhos e o novo

Comecei a dar aulas de português e francês, em março de 1981, i.e. há mais de 40 anos, no então Liceu Gil Vicente, em Lisboa. Fui professora do ensino básico público (com passagem de dois anos por um colégio privado) durante cerca de 10 anos, sucessivamente como eventual (não recebia salário nos meses de julho, agosto e setembro), provisória, efetiva-provisória e efetiva, estatuto que adquiri poucos dias antes de abandonar o ensino básico público, em dezembro de 1990, para iniciar funções de assistente estagiária na Faculdade de Letras, onde ainda hoje sou professora auxiliar. Gostei muito de ter sido professora do básico, mas não voltaria a essa condição, porque, para tal, teria que ter uma energia e uma vitalidade que já não tenho.

Margarita Correia

Com muitos sotaques, pois claro!

Um sotaque é uma forma de pronunciar particular de um indivíduo, ou dos falantes de determinada localidade, região ou país. O sotaque permite identificar com relativa facilidade, em quem fala, o local onde reside, ou o seu estrato socioeconómico, a sua etnia, ou até a sua classe social. Quando a língua que fala não é, para o indivíduo, a sua língua materna, é possível também identificar o lugar de onde provém, pelas influências da sua língua materna que transparecem na sua fala, que se manifestam na forma como pronuncia determinados sons, no seu sotaque. Além dos sons propriamente ditos, o sotaque dos indivíduos manifesta-se também na prosódia, ou seja, na entoação dada ao discurso, às palavras e às frases, no ritmo, em suma, na musicalidade da própria língua. Acontece por vezes ouvirmos alguém falar uma determinada língua com toda a correção (pronúncia dos sons, escolha das palavras, construção das frases, organização e eficácia do discurso), mas termos a sensação de ela ser falada mecanicamente, de continuar "a ser estrangeira", porque lhe falta a melodia própria da língua, melodia que é parte integrante dela.

Margarita Correia

Parabéns, Cabo Verde!

Cabo Verde celebra hoje o seu 46.º aniversário de independência. No país, a língua oficial portuguesa convive, em situação de diglossia, com a língua nacional do país, o cabo-verdiano. A língua cabo-verdiana é um crioulo de base lexical portuguesa; pertence ao ramo dos crioulos afro-portugueses da Alta-Guiné, da família dos crioulos de base portuguesa. Além de língua materna de quase todos os cabo-verdianos, ela é língua segunda ou língua de herança dos descendentes da numerosa diáspora espalhada pelo mundo. É, ainda, língua cultural e artística por excelência, presente na poesia, nas canções, na música cabo-verdiana.

Margarita Correia

Conferência da Praia e plano de ação para o IILP

Decorreu de 26 a 28 de maio, em suporte virtual, a 4.ª Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial, com o tema "Horizontes e Perspetivas da Língua Portuguesa". Organizada pelo Governo de Cabo Verde, no âmbito da presidência pro tempore da CPLP, contou com a colaboração da Comunidade e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP). Os materiais estão disponíveis na página e canal YouTube da CPLP.

Opinião

Por uma Comunidade de Cidadãos de Língua Portuguesa

De acordo com a Publishers Association, em 2016 o Reino Unido publicava 16% dos artigos académicos mais citados e possuía 10% de todas as editoras académicas do mundo; constituía o maior produtor mundial de livros e revistas académicas, com 17% do total (seguido pelos EUA, com 16%). Algumas destas editoras detêm também os índices bibliométricos mais reconhecidos no mundo académico, retroalimentando-se assim, e levando a que a ciência produzida no resto do mundo contribua para esta supremacia e para a riqueza do país.

Margarita Correia

As mulheres e o nome das atividades que exercem

No último quartel do século XX, a sociedade portuguesa abriu atividades, cargos e profissões às mulheres, o que à época suscitou acesa discussão sobre a forma feminina dos nomes desses cargos, atividades e profissões. Lembro a este respeito de quando Ruth Garcês assumiu o cargo de juiz em 1977 e de quando Maria de Lourdes Pintassilgo assumiu a chefia do V Governo Constitucional, em 1979, tornando-se primeira-ministra. Lembro ainda a admissão de mulheres nas Forças Armadas, na década de 1990, e a dificuldade em estabelecer formas femininas para funções e patentes militares.

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Literacia, trabalho e igualdade de género

No Bom Dia Portugal (RTP) da passada sexta-feira, escutei que Portugal se encontra abaixo da média da União Europeia relativamente à percentagem de mulheres em lugares de topo, de acordo com o Índice de Biodiversidade de Género 2020 (European Institute for Gender Equality). A peça incluiu uma excelente entrevista a Mariana Branquinho, consultora de recursos humanos, que expôs razões para a situação portuguesa e destacou os países do norte da Europa, especialmente a Noruega, como os que garantem maior igualdade no acesso das mulheres a posições de topo na sociedade, sobretudo devido aos elevados índices de literacia daqueles países, que são ricos, desenvolvidos e com democracias consolidadas.