Luís Castro Mendes

Luís Castro Mendes

Uma visita a Teixeira de Pascoaes

Em Amarante imaginei que encontrava Teixeira de Pascoaes. Apesar de ter sido demasiadas vezes reduzido aos pesados estereótipos da Saudade e da Portugalidade e de ter construído a sua obra ao arrepio dos modernismos sucessivos, Pascoaes não deixou de encontrar quem o soubesse ler: Jorge de Sena sentiu-lhe bem a grandeza e o génio e os surrealistas celebraram-no, por boas e más razões. Mas soubemos nós ler Pascoaes como se deve ler um poeta, literalmente e em todos os sentidos, como dizia Rimbaud?

Luís Castro Mendes

Nós, os burgueses do teletrabalho

Talvez desde o fordismo não tenhamos assistido nas nossas sociedades a uma tão radical mudança das condições de trabalho, ao se abolir a distinção entre o espaço público e o privado na vida laboral e se reatarem as tradições do trabalho em casa, como as antigas fiandeiras ou os operários que cultivavam fora da fábrica os seus pedaços de terra. Se o trabalho manual mais básico, a agricultura e a indústria e algum trabalho mais qualificado (saúde, por exemplo) não puderam, pela sua natureza, ser relegados ao espaço doméstico, a verdade é que a pandemia revelou as enormes potencialidades deste modo de trabalho, tornado possível pelo extraordinário avanço tecnológico dos meios digitais.