José Sócrates

José Sócrates

Carta aberta ao Conselho Superior da Magistratura

Começo por assinalar a evolução da vossa posição. Há cinco anos o Conselho defendia que a nova distribuição do processo Marquês não era necessária e que ela "foi manual por não poder ser eletrónica dados os problemas de funcionamento que determinaram o encerramento do Citius em setembro de 2014". Hoje reconhece que nada disto era verdade - a distribuição era necessária e o sistema informático naquele tribunal estava a funcionar regularmente. O relatório admite, finalmente, que no dia 9 de setembro de 2014 a distribuição do processo Marquês foi manipulada e falsificada. Não foi feita por sorteio, não foi feita com a presidência de um juiz, não foi feita de modo a garantir igualdade na distribuição de serviço. Pronto, até aqui estamos de acordo. A partir daqui divergimos.

José Sócrates

O escândalo do dia

Nesta nova temporada televisiva do "cartão azul", o único crime de que temos a certeza que foi cometido é o crime de violação do segredo de justiça. Enquanto decorre tranquilamente em frente dos nossos olhos, este parece ser o elemento ausente- presente da história, o crime de que ninguém quer falar. O nosso sistema penal evolui assim por transgressão. A continuada infração acabará por criar a sua própria lei e o crime acabará consentido e reservado aos agentes estatais. Um crime institucional, por assim dizer. Eis no que que se transformou o nosso sistema penal - o Estado acima da sua própria lei.

Exclusivo

Pré-publicação

Sócrates sobre o PS: "A política ama a traição mas despreza o traidor"

No livro Só Agora Começou, o antigo primeiro-ministro escreve que os socialistas decidiram que "o único líder que teve uma maioria absoluta deveria ser removido da história", diz-se alvo de uma "vingança" da direita, vê "o espetáculo como motor da justiça e do jornalismo", e equipara Carlos Alexandre e ao juiz brasileiro Sergio Moro.