José Mendes

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Voltar ao oceano

Na semana que ora iniciamos, Lisboa será o centro do debate em torno dos oceanos. E são mais as interrogações do que as respostas que hoje gravitam em torno desse ativo - único, imenso e irreplicável - que são as águas salgadas que ocupam três quartos do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos é uma das campainhas que mais deveriam despertar o nosso Portugal, pois vivemos desde sempre paredes meias com o Atlântico, numa relação que raramente exponenciou o benefício mútuo.

José Mendes

O Estado visto da janela da CCP

Passada a pandemia, reemergem em todo o seu esplendor a mediocridade e a mendicidade de uma certa geração de representantes dos empresários. Para ser franco, não me espanta. Foram segurados pelo Estado durante toda a crise sanitária, tiveram salários pagos, contribuições reduzidas, moratórias nas suas dívidas e por aí fora, mas agora voltam ao velho e gasto discurso de ódio ao Estado, ambicionando sempre a socialização dos prejuízos, por oposição à privatização dos lucros.

José Mendes

Política, Ciência e Pessoas

Há uns anos, ainda em funções governativas, fui convidado para uma reunião de diretores de agências nacionais de ambiente e energia dos estados-membros da União Europeia. Recordo o admirável empenho daquelas pessoas na descrição de cenários para a transição energética, apresentando gráficos e curvas quase perfeitas da relação entre a penetração de tecnologias limpas e os benefícios para o ambiente e o clima. A certo ponto, fui interpelado a comentar uma apresentação da Agência Europeia de Energia. A minha intervenção foi, para surpresa dos presentes, sobre pessoas. Defendi a ideia de que competia aos políticos ler as evidências e as interpretações da ciência para formular as opções e tomar as decisões. Mas fui mais longe, ao afirmar que, no fim do dia, seriam as pessoas a decidir.

José Mendes

BE e PCP em vias de extinção

Esta crónica é sobre a esquerda à esquerda do PS. Mas começo por falar da direita à direita do PSD. O que aconteceu a 30 de janeiro mostrou como duas suspeitas se tornaram factos. A primeira é a de que os partidos podem ser extintos, à força das cruzes nos boletins de voto. Aconteceu com o CDS. A segunda é a de que os vazios criados no espetro partidário são necessariamente preenchidos, e nem sempre para melhor. Aconteceu com o Chega e a IL. Voltando à esquerda, a noite eleitoral do último domingo acelerou a espiral de extinção do PCP e do BE. Também do PAN, mas essas são contas de outro rosário. Perante esta tendência, a pergunta que me ocorre é se será este um caminho definitivo e quem ocupará o vazio criado.

Opinião

Maioria absoluta?

O problema que se coloca ao país nas eleições de 30 de janeiro é o de estabelecer um quadro de governação estável para enfrentar os desafios dos próximos anos. Fechar o ciclo negativo da pandemia, executar com aproveitamento o PRR, arrancar com o Portugal 2030 e acelerar nas transições gémeas - climática e digital -, modernizando a economia e atenuando as desigualdades, são empreitadas que não se compatibilizam com cenários de instabilidade política. Por isso, compreende-se que os partidos que aspiram a vencer as eleições ambicionem maiorias absolutas. As sondagens, porém, indiciam a grande dificuldade de PS ou PSD chegarem ao número mágico de 116 deputados. É pena, pelas razões que passo a explicar.