Jorge Costa Oliveira

Jorge Costa Oliveira

UE - gás russo, americano ou pluralidade de fornecedores?

A discussão em torno do Nord Stream 2 internacionalizou-se e é agora objeto de uma iniciativa no Senado dos EUA que pretende impor sanções adicionais à Rússia como se o Nord Stream 2 fosse apenas um projeto russo; a sociedade Nord Stream AG tem como acionistas a russa Gazprom (51% do capital social), as alemãs Wintershall Dea e PEG Infrastruktur AG (E.ON) (cada 15,5%), a holandesa Gasunie (9%) e a francesa Engie (9%).

Jorge Costa Oliveira

A competição entre as novas Rotas da Seda

Em 2013 a China lançou um projeto denominado "Uma Rota, Um Cinturão" que incluía seis corredores económicos terrestres asiáticos e euro-asiáticos e rotas marítimas no Indo-Pacífico de ligação à China; recentemente este projeto foi rebatizado como Belt and Road Initiative (BRI) e compreende um programa massivo de investimentos em desenvolvimento de infraestrutura e logística. A iniciativa mereceu amplo acolhimento - em Março de 2020, 138 países tinham celebrado MoUs com a China sobre a BRI. Estes países esperam beneficiar de investimento adicional em infraestrutura e logística.

Jorge Costa Oliveira

Vistos dourados, captação de investimento e vontade política

Por ocasião do 9.º aniversário do regime da Autorização de Residência para Investimento (ARI), mais conhecido por "vistos dourados", foram publicitados alguns dados estatísticos. Foram captados, no total, mais de 6000 milhões de euros de investimento estrangeiro que levaram à atribuição de 10.087 ARI - 5776 milhões (9450 ARI) através da compra de bens imóveis, dos quais 342 milhões (950 ARI) para reabilitação urbana, 576 milhões (617 ARI) resultantes da transferência de capitais e 20 ARI por criação de postos de trabalho.

Jorge Costa Oliveira

Da Guerra Fria à paz interdependente

De 1945 a 1991 o planeta viveu uma era que ficou conhecida como Guerra Fria (expressão utilizada pelo escritor George Orwell no seu ensaio You and the Atomic Bomb, publicado em 19 de outubro de 1945 no jornal britânico Tribune). Durante esse período, os EUA e a União Soviética protagonizaram uma rivalidade ideológica e geopolítica pela influência global. Essa rivalidade alimentou inúmeros conflitos regionais e guerras por procuração. Mas as duas superpotências nunca se envolveram em conflito direto por meios convencionais, provavelmente devido à dissuasão nuclear. A luta pelo domínio global foi efetuada por meios indiretos, como guerra psicológica, campanhas de propaganda, espionagem, embargos económicos, rivalidade em eventos desportivos e competições tecnológicas como a corrida espacial.

Jorge Costa Oliveira

O equilíbrio dilemático entre a Austrália e a China

A Austrália tem uma evolução sui generis - de terra australis incognita, a colónia penitenciária e a "lucky country" (por via da abundância de recursos e do distanciamento de cenários de guerra passados). Do ponto de vista cultural e civilizacional é um país de matriz ocidental, com uma democracia liberal assente num sistema político-eleitoral anglo-saxónico, membro da Commonwealth e com fortes ligações ao Reino Unido e aos EUA. Atenta a sua inserção geográfica, sucessivos governos australianos assumiram há muito uma estratégia de integração asiática, seja em termos da sua composição populacional, seja em termos económicos.

Jorge Costa Oliveira

IDE chinês privado em África e evolução demográfica

Há cada vez mais investimento privado chinês a afluir ao continente africano; a proporção do IDE das empresas privadas chinesas (POEs) em África relativamente ao IDE das SOEs no continente tem aumentado continuamente - de 29% -71% em 2009 para 49,9%-50,1% em 2019; de acordo com o China-Africa Business Council, o stock de IDE da China na África seria c. € 47,5 mM no final de 2020, sendo as POEs responsáveis por c. 70% do total.

Jorge Costa Oliveira

Bancos multilaterais e controlo do sistema financeiro internacional

A evolução da globalização, com uma mudança na relevância das geografias nas trocas comerciais (com crescimento gradual na orla da Ásia-Pacífico e uma redução na área do Atlântico e também mais comércio sul-sul) e no sentido dos fluxos (mais bidirecionais entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento) está a mudar a paisagem também no que tange à parafernália de organizações financeiras multilaterais.

Opinião

O realismo de Barshefsky e os prosélitos dos eixos do Bem

Num evento promovido recentemente pela US Chamber of Commerce, a Emb. Charlene Barshefsky - responsável, enquanto US Trade Representative, pelas negociações que conduziram à entrada da China na OMC e levaram a um aumento do multilateralismo no comércio internacional e à abertura do mercado chinês - veio chamar a atenção para a alta probabilidade de a UE dificilmente seguir a postura da Administração Biden relativamente à China. Barshefsky referia-se à dificuldade que o governo dos EUA está a enfrentar para convencer os governos europeus a restringir os negócios em tecnologia com empresas chinesas, restringir as transações comerciais e aderir a sanções contra a China.