Jorge Barreto Xavier

Jorge Barreto Xavier

Semanologia

SA de Sociedade Adormecida - a letargia é um estado de sobrevivência. O dicionário Houaiss define-a como "estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir." Sobrevive-se letárgico, mas não é vida. Por sua vez, a hibernação, numa das suas definições, é "estado de torpor, de adormecimento; inação; modorra". Respira-se, hibernado, mas com pouco oxigénio. Servem estes dois conceitos para definir Sociedade Adormecida, no meu dicionário pessoal: "aquela que, letargicamente, entra em hibernação". Em tantos aspetos da existência, somos assim. Deixamo-nos ir. Não importa. Ou importa, mas não há coragem para agir. Ou age-se, e o gesto não tem eco, pois em torno poucos estão acordados. Repare-se que acordar é estar de acordo. O acordo implica vigília, entendimento e ação, quando acordar significa mudar, melhorar. Portugal acorda estar adormecido. O estado letárgico é o que mais convém a uma sociedade que renuncia ao debate crítico. Por exemplo, na semana passada, referi na minha coluna, que, em 2022, a percentagem da proposta de Orçamento de Estado da Cultura é menor que a de 2015, último Orçamento do Governo Passos Coelho. É notícia. Enviei uma nota à Lusa a dizê-lo. A diversos outros meios. No seu sono profundo, acordado, ninguém reagiu. Hiberna-se.

Jorge Barreto Xavier

Semanologia

E de Europa - neste Dia da Europa, apresentam-se os resultados da Conferência sobre o Futuro da Europa, iniciativa da atual Comissão Europeia, com o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu e que contou com a participação dos cidadãos da União. Em Estrasburgo, um conjunto de 49 propostas será entregue aos presidentes das três instituições de topo da EU. As propostas cobrem os mais diversos domínios, do Ambiente à Cultura, das Migrações à Saúde, da Educação aos Transportes. A Comissão Europeia tem dado passos relevantes - o New European Bauhaus é outro bom exemplo, para o envolvimento dos cidadãos no desenvolvimento das políticas para a Europa.

Jorge Barreto Xavier

Verdades inconvenientes

O governo, sucessivamente, exerce uma cosmética sobre a verdade, nos mais diferentes assuntos e aos mais diferentes níveis. Facilmente, encontram-se exemplos de omissões, versões enviesadas e invenções sobre factos em diversas áreas de governação. Por exemplo, ficaremos por saber o que correu mal com a festa do Sporting, porque é que, quando a Alemanha e a França fechavam a porta aos ingleses, nós a abríamos, as duas faces de um governo que se abstém na União Europeia sobre a lei húngara de censura aos temas LGBTI. Venho lembrar algumas verdades inconvenientes, concretamente, na área do património cultural.