João Melo

João Melo

Literaturas de língua portuguesa: as trocas que não existem

É uma redundância lembrar que a língua portuguesa é uma língua pluricontinental, falada por 280 milhões de pessoas em todo o mundo, o que, supostamente, serve (ou pode servir) de substrato de uma comunidade reunindo o conjunto de países onde a mesma é usada como língua nacional e oficial. Mas, por detrás desse facto, um outro se impõe: os cidadãos de tais países estão impossibilitados de circular livremente entre eles, logo, a comunidade dos países de língua portuguesa só o é de nome.

João Melo

Afeganistão, EUA e petróleo

Os números são da Forbes: nos 20 anos da sua segunda intervenção no Afeganistão, os Estados Unidos gastaram mais de 2 triliões de dólares, correspondendo a 300 milhões por dia, todos os dias; isso significaria 50 mil dólares para cada um dos 40 milhões de habitantes do Afeganistão. Tais números, acrescenta a revista, incluem 800 biliões em custos diretos de combate e 85 biliões para formar o exército afegão, o mesmo que entrou em colapso mal Joe Biden confirmou a saída americana do atoleiro afegão.

João Melo

A América e a democracia global – o que faltou dizer

No artigo publicado aqui no passado dia 13 de julho deste ano, comentei a pretensão anunciada pelo presidente americano Joe Biden de liderar o combate global para defender a democracia, ameaçada por aquilo a que se tem chamado "derivas autoritárias". Apontei então algumas limitações dessa pretensão. As duas teses principais do artigo eram que, para desempenhar esse papel, a principal potência mundial precisa, primeiro, de resolver o problema das ameaças internas à sua democracia, protagonizadas pelo trumpismo, e, segundo, de articulá-lo com as principais instituições multilaterais existentes, a começar pela ONU. Só faltou concluir que, caso contrário, estaremos de volta à "América de Bush", quando os EUA pensavam que podiam implantar a democracia em outros países (os que lhes interessavam) à custa de invasões e "revoluções" híbridas.

João Melo

Aconteceu alguma coisa no Brasil?

O principal noticiário de TV, dois dos três maiores jornais e outros importantes meios de comunicação social brasileiros decidiram não fazer manchete das manifestações ocorridas no último sábado no maior país da América Latina pedindo o impedimento do presidente Bolsonaro, limitando-se a referir o facto em pequenas e envergonhadas notas, encaixadas no meio de outros factos. Há muita gente, em todo o mundo, que pensa que deixar de noticiar certos acontecimentos faz estes últimos "desaparecer", como que por milagre. Pior do que ter cabeça pidesca é ser burro.