Joana Petiz

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Contra os lisboetas, marchar!

Disse a vereadora do Livre, em nome de Rui Tavares (este quase sempre sentado em São Bento): em nome do ambiente e da poupança energética, reduza-se em 10km/h os limites de velocidade para quem anda de carro em Lisboa e acabe-se com a circulação motorizada na Avenida da Liberdade aos domingos e feriados. E logo os socialistas aplaudiram, entre a demagogia habitual e o potencial de nova pancada na governação autárquica, apoiados pelo representante único do BE e pela vereadora independente (antes escolha de Medina para liderar a Habitação).

Joana Petiz

O que é que o Banco de Fomento (não) tem?

Um ano depois de fechar a lista de nomes - incluindo nove administradores e 24 diretores - para liderar a instituição que permitiria dar vida à recuperação pós-covid, entre garantias e milhões do PRR, o Banco de Fomento permanece um corpo estranho. Tão estranho que aparentemente ninguém se lembra ou quer alguma coisa com ele. Seja porque os programas não convencem, porque os requisitos são demasiado apertados para as empresas poderem recorrer-lhe ou porque o desajuste entre oferta e necessidades é desproporcional. Tão estranho que se revela incapaz até de atrair um profissional com créditos dados que aceite o cargo de presidente do conselho de administração.

Joana Petiz

Até onde nos leva a fuga para a frente

Já estava traçado nos planos ainda antes de Eduardo Cabrita ter subitamente anunciado a decisão de extinguir o SEF, numa incrível coincidência temporal - que muitos acreditaram ser motivada pela necessidade de o então ministro que sobreviveu às golas antifumo inflamáveis, aos festejos do Sporting, ao blackout do SIRESP e até a um atropelo mortal sacudir dos próprios ombros a responsabilidade política pela morte de um cidadão ucraniano enquanto à guarda daquela polícia. Não teve nada que ver, garantiu o primeiro-ministro aos portugueses incrédulos com o projeto de desconstrução de uma estrutura cuja competência era largamente elogiada até lá fora.

Joana Petiz

O Orçamento bom em tempo de guerra

Não fosse a guerra na Europa e não veríamos uma vírgula mudar no Orçamento do Estado que o governo se prepara para apresentar. E não haveria, de facto, razão para alterações ou surpresas: as contas que António Costa levou a votos considerando serem as melhores alguma vez apresentadas no Parlamento não estavam feitas para agradar à oposição nem aos parceiros de geringonça - como se viu pelo chumbo que derrubou o governo para o conduzir à maioria absoluta. Eram desenhadas pela pena de João Leão para cumprir o desígnio das contas certas, aproveitando a torneira aberta do dinheiro europeu para adoçar a boca aos que mais amargaram com a crise pandémica. Não havia portanto razão para alterar o que quer que fosse, agora que o PS se governa sem precisar de bengalas.

Joana Petiz

Não é o fim dos vistos gold, é saber quem entra

Quem nunca quis abrir as portas do país a estrangeiros capazes de trazer-nos investimento e mais-valia - paradoxalmente, os mesmos que pugnam por escancará-las a qualquer pessoa, venha de onde vier e independentemente das intenções, desde que não traga bolsos recheados e planos para criar empresas, emprego ou perspetivas de crescimento - teve por estes dias uma alegria. Mas foi uma alegria breve, pois quem prega como Frei Tomás não entendeu bem a mensagem de Estrasburgo.

Joana Petiz

Empreendedores que salvam vidas

Quando Filipa foi diagnosticada com um cancro na mama em estágio avançado, toda a família ficou em choque. A sentença, inesperada para quem ainda nem entrara nos 30, passava pela necessidade de remover o peito e enfrentar duríssimos tratamentos de quimioterapia agressiva para tentar controlar a evolução da doença. Um quadro assustador que um rastreio precoce podia ter evitado com cuidados mínimos. Mas uma realidade que é comum a 37% das mulheres diagnosticadas com cancro da mama - muitas vezes por não cumprirem o autoexame ou, fazendo-o, por não saberem identificar os sinais de perigo.

Joana Petiz

Vai firme Catarina ao volante do uberXL

Convocou António Costa para uma reunião logo na segunda-feira, para assinar "um contrato de ferro" para a legislatura; confiou ao mundo português a necessidade indispensável ter o BE como terceira força política na Assembleia; chamou "caricatura da direita económica aos liberais"; e alertou para o que seria "uma governação em ziguezague, à vista, sem direção" se o PS não estivesse nas mãos do Bloco. O povo ouviu-a com atenção e decidiu. Votando massivamente em Costa e à direita (exceção feita a um CDS em profunda crise de identidade), remetendo a extrema-esquerda para mínimos históricos.

Joana Petiz

Quase só os impostos (ainda) os separam

António Costa mudou. Já não é o homem que conseguiu um acordo histórico com a extrema-esquerda e o Partido Comunista para fazer o que nunca antes fora tentado, governar sem ter ganho as eleições; o governante que pôs todas as fichas - ou, mais literalmente, todos os euros disponíveis - na rua, entre renacionalizações, subsídios, contratação recorde de funcionários públicos e injeções em empresas do setor do Estado, ora desprezando ora castigando a iniciativa privada. Já não é o primeiro-ministro que distribuiu generosamente pastas e pastinhas desdobrando as suas legislaturas em ministérios, dando origem aos maiores governos da história do país - primeiro 18, depois 20, gabinete do primeiro-ministro incluído.

Joana Petiz

António, um homem como os outros

Não há muitas alturas melhores para entrar na casa das famílias do que em plena época de reforço de restrições, com os portugueses confinados por ordem do governo, apesar de mais de 90% estarem protegidos dos efeitos graves da covid pela vacinação - como se vê pela reduzida proporção de casos preocupantes e de mortes no pico de contágios detetados por um recorde de mais de 300 mil testes diários. Basta comparar o último 23 de dezembro com o mesmo dia há um ano. Em 10 549 casos detetados (o dobro dos 4600 de há um ano), há 893 internados (três vezes menos do que os 2990 de há um ano), dos quais 148 em UCI (quase um terço dos 512 de há um ano) e registaram-se 17 mortes por covid (menos de um quinto dos 89 óbitos de há um ano).