Henrique Burnay

Couve de Bruxelas

Os Açores ou as Berlengas da Europa

Nos últimos anos, três factos externos alteraram o lugar de Portugal no mundo. A transição americana para o Pacífico retirou relevância estratégica à nossa posição geográfica entre os Estados Unidos da América e a Europa. A presidência de Trump azedou as relações entre os aliados da NATO, reforçando quem questiona, ou mesmo quem quer pôr em causa, a Aliança. E o Brexit deixou-nos isolados (na companhia dos irlandeses) na frente atlântica da Europa. Isto tudo sem que seja evidente que Portugal adaptou, consequentemente, a sua visão do mundo e dos seus interesses. Pelo contrário.

Henrique Burnay

Cada um a fazer contas à vida

O que resume o último Conselho Europeu é que cada um dos Estados Membros fez contas absolutamente internas para medir o que ganhava e perdia. Com excepção da Alemanha, que sabe que a escala europeia é a sua, e de França, que acredita que deve ser, todos os outros fizeram contas ao dinheiro que querem receber ou não querem pagar. O europeísmo dos chefes de Estado e de governo da União Europeia não é muito mais que isto. Se deveria ou poderia ser diferente, é outra conversa.

Henrique Burnay

O novo estatismo europeu

O Estado activamente interventor na economia está de volta. Primeiro, foi na saúde e na definição de regras draconianas que foram acatadas sem resistência. Depois, na resposta social. Segue-se a recuperação económica: com dinheiros públicos, prioridades públicas e objectivos públicos. Pelo caminho, fala-se de aplicações para monitorizar os cidadãos, invocando razões de saúde. No final virão mais impostos. É necessária uma grandé fé nas virtudes do Estado para não estar atento, e ser-se muito pouco, ou mesmo nada, liberal para achar que não há riscos quando o Estado cresce em funções, orçamento e áreas de intervenção.

Opinião

O preço do europeísmo português 

Quando Portugal assinou a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), a 12 de Junho de 1985, fê-lo com enorme consenso político interno, à exceção de comunistas e de alguns isolacionistas de direita, e por duas razões principais: ancorar a recém-democracia portuguesa no Ocidente e receber os fundos europeus. Passados 35 anos, a pertença ao Ocidente é inequívoca, o consenso europeu nacional está diferente mas a dependência dos fundos mantém-se. Nas vésperas de mais uma transformação da Europa, precisamos de fazer estes balanços para nos pormos de acordo quanto ao que aí vem. Ou não.

Opinião

A Europa, no vazio da América

A tripulação do navio aplaude o seu comandante e grita "herói", enquanto Brett Crozier abandona o porta-aviões nuclear USS Theodore Roosevelt, demitido pelo governo por ter enviado uma carta exigindo que fossem tomadas medidas para evitar a propagação do vírus a bordo do navio com quatro mil militares. A revolta da marinha, o ramo das forças armadas que melhor representa a projeção global americana, duvidando das chefias e da Administração é uma imagem rara e eloquente.