Gonçalo Reis

Gonçalo Reis

Um homem com qualidades

Conheci Almerindo Marques num fim de tarde de primavera, há vinte anos, no Hotel Altis. Era fácil adivinhar que estava perante uma figura singular. Conciliava uma calma olímpica com uma enorme determinação. Chegava a ser ligeiramente desconcertante aquela sua crença absoluta no trabalho a realizar, perante qualquer emergência. Fora assim na banca, seria assim na comunicação social, e mais tarde nas infraestruturas. Tínhamos sido nomeados para gerir a RTP, que estava à beira de explodir.

Gonçalo Reis

O que fica do que passa

A RTP acaba de apresentar os resultados de 2020, com um desempenho manifestamente robusto. Mas o fundamental não é este exercício, é a consistência no tempo. Quando assumi a liderança da empresa apresentei um programa de qualificação da oferta em paralelo com um forte compromisso para com o equilíbrio económico. Definimos objetivos claros, marcando linhas vermelhas e permitindo o acompanhamento por todos: a RTP deveria apresentar todos os anos resultados operacionais (EBITDA) superiores a 10 milhões de euros, resultados líquidos positivos e haveria total controlo da dívida. Todas as premissas foram rigorosamente alcançadas: a média dos resultados operacionais dos últimos seis anos foi de 14 milhões (40% acima do plano), os resultados líquidos foram sempre positivos e inclusive reduziu-se a dívida, facto raríssimo no setor empresarial do Estado.

Gonçalo Reis

A RTP e a promoção das artes e da cultura

Passo a passo, peça a peça, a RTP vai reencontrando a sua matriz de serviço público. Nos últimos tempos, a estação voltou a afirmar-se como o destino natural das iniciativas culturais em Portugal. O nosso propósito é exatamente esse: ser uma janela aberta para a produção criativa nacional. Parece óbvio, apesar de não ter sido sempre assim. Mas agora as artes sabem que são mesmo bem-vindas, os agentes culturais sabem que os consideramos e os programadores sabem onde obter visibilidade. Faz toda a diferença.