Filipe Froes e Patricia Akester

Filipe Froes e Patricia Akester

Balanço de um ano de pandemia de covid-19: da inevitabilidade a lições para o futuro

Umas vezes ganha-se, outras vezes aprende-se", adágio atribuído a Nelson Mandela e ensinamento que tão bem se aplica ao nosso dia-a-dia desde a declaração de pandemia emitida há mais de 13 meses pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais precisamente no dia 11 de Março de 2020. Inevitavelmente um dos maiores desafios para todos nós consiste, consequentemente, em saber o que aprendemos e o que vamos e queremos mudar no futuro no âmbito de um contexto repleto de oportunidades de aprendizagem.

Filipe Froes e Patricia Akester

Balanço do acesso à vacina após um ano de covid: "alguns são mais iguais do que outros"

O percurso trilhado ao longo do último ano em sede de acesso à vacina evoca a evolução do 7.º mandamento do clássico literário, A Revolução dos Bichos. Nessa obra o autor britânico George Orwell começa por instituir a equidade como mandamento, mandamento este que sofre fortes desvios ao longo da sátira. Ora, declarada a pandemia, conceptualmente, foi o mandamento orwelliano (na sua versão não desvirtuada) que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aduziu quando afirmou que o combate à covid-19 devia ter por base princípios de solidariedade, de cooperação e de assistência a nível internacional, princípios esses que reitera com constância. Volvido um ano, ciente está a OMS de que, na realidade, enquanto nos países desenvolvidos o processo de vacinação contra a covid-19 está em marcha, a velocidades diferentes é certo, na maior parte dos países em desenvolvimento nem uma vacina foi até hoje administrada. Tedros Adhanom Ghebreyesus (diretor-geral da OMS) admite mesmo que "o mundo está à beira de uma catástrofe moral" (CNBC).